quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Falta de noção com falta de moral


Isto aconteceu comigo à pouco e achei que era um bom assunto para trazer até o blogue.
(mesmo existindo uma hipótese de exposição)

Estava a sair da estação do metro (quase meia-noite) rumo à paragem de autocarro. Nisto escuto a música ambiente bastante alta. 

«Há noite o metro vira uma discoteca!» - pensei a ironizar. 
«Podia já fazer-se uma festa aqui» - acrescentei.

E como quase sempre acontece quando me deparo com uma situação caricata, "saco" do telemóvel na intenção de registar o insólito. 


E como quase sempre acontece, quando se tem algo mesmo «giro» que se quer registar, o telemóvel está a perder a bateria e o armazenamento atingiu o limite :)

Pela altura em que consigo chegar à camara, carregar no botão e ver aquilo reagir ao comando, já a música tinha chegado ao fim. Quando regressou, como temi, veio um pouco menos alta. E manteve-se assim, oscilando entre o baixo e o alto, mas não aos berros como estava quando me surpreendi com o inusitado. Fiquei a pensar quem é que estava responsável pela sonoridade da estação e se estavam a pensar se divertir naquela noite, quanto todos tivessem ido embora...


Há medida em que fui avaçando, fui percebendo que outra música ambiente da estação estava a tocar no fundo. Muito ténue, quase imperceptível. Existiam então DUAS fontes de som ambiente? Estranho. Nunca percebi tal situação. Observei ao redor enquanto me dirigia para a saída da estação, a tentar perceber se estavam em reparações ou a fazer testes. Nada percebi nenhum indício. Mas era distinto a presença da música alta com a ténue e discreta. DUAS fontes de música inundavam o mesmo espaço público.

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Saio então da estação e, cá fora, na rua, após sair do elevador que me isolou do subterrâneo musical, os ouvidos foram novamente surpreendidos pelo mesmo volume de decibéis exageradamente elevados. De onde vinha a música? De um aparelho transportado a tiracolo por um rapaz. Deve ser aquilo a que chamam boombox. Em termos sonoros é o equivalente às colunas de som stereo daqueles automóveis mais irritantes, que quando param num semáforo com a música aos altos-berros, só dá é nos nervos de quem está em casa a tentar se concentrar numa qualquer tarefa. Só que, desta feita, fizeram-nas portáteis para humanos. 



O rapaz também se dirigia à paragem. Onde já se encontrava um outro. Este também estava a escutar música, mas usava phones nos ouvidos. Daqueles que não deixam transbordar ruído para fora (esses são um atentado!). Este rapaz, que já se encontrava ali, teve de se afastar. Certamente para não se sentir incomodado. Afinal, se já estava a escutar música - certamente da sua preferência, não tinha porquê ter de ser sujeito a escutar outra, que não podia escolher se queria ouvir ou não.

Eu fiquei curiosa e quis registar o inusitado. Mas com o telemóvel a dar as últimas, fiquei ali a tentar apagar cenas que ocupam espaço para ver se apanhava um pouco daquela curiosidade. Discretamente, ou tentando ser discreta. Gosto de registar, mas não torno público coisas que, mesmo sendo feitas em lugares públicos, possam afetar a identidade de terceiros. Quem me conhece daqui sabe o que penso a respeito dos direitos de cada um.

E por isso mesmo tive o ímpeto de chegar perto do rapaz e lhe perguntar: "O que te faz pensar que não faz mal impores assim a música às outras pessoas?". 


Sério... tive curiosidade. Inclusive dirigi até o rapaz, que por esta altura conseguiu a proeza (imagine-se como) de ter o banco da paragem exclusivo para seu usufruto. Nem eu, que pretendia aguardar a chegada do autocarro ali sentada, nem o outro rapaz, ficámos por perto. Tanto ele como eu nos afastámos um tanto. Os décibeis eram realmente altos. Tenho a certeza que se faziam ouvir nitidamente nas habitações dos prédios à volta. Aquela música podia ser escutada nos arredores e num raio enorme de alcance. Cada uma das pessoas já em suas casas, dentro daqueles apartamentos, nos prédios de 10 andares, três ou quatro fogos cada, mais de duas centenas de áreas de habitação, cada qual com o seu número variável de ocupantes - todos podiam escutar a música.

O que justifica a minha curiosidade. Queria mesmo saber o que fazia o indivíduo achar que fazia bem ouvir música assim. Alta, àquela hora da noite - quase meia-noite. 

O indivíduo até me pareceu que podia ser boa gente - embora com falta de respeito e provocador. Sorriu, percebeu que os restantes se afastavam e até aumento mais ainda o volume da música por causa disso. De alta passou a altíssima. E ficou ali, senhor e rei do espaço, sentado ao centro do banco que dá para três se sentarem, de pernas ligeiramente abertas, mãos nos bolsos, por onde controlava o volume da maquineta. De vez em vez, olhava para nós - que nos afastámos.

Olho no seu rosto, ele olha no meu. Avanço dois passos na sua direcção para lhe perguntar o que o faz pensar que está bem ouvir música assim, e fazer todos ouvi-la também. Mas opto por recuar, abanando a cabeça e esboçando um sorriso intrigado, mas não crítico. Quero é registar o inusitado - sem com isso pretender incomodar o indivíduo - mesmo este estando a incomodar todos. 

Ocorreu-me até pergunta-lhe se o podia filmar um pouco - só para registar a situação. A pesar de ele estar num local público e não ser proibido recolher imagens em sítios que são para usufruto de todos e pertencem aos cidadãos no geral. É uma questão de ética pessoal. Mas ia pensar nisso assim que conseguisse por o telemóvel a funcionar. Tive até de o re-iniciar, porque é tão velho que fica "cansado" e reage com lerdeza a quase todos os comandos, podendo até "apagar-se" se puxarem muito por ele.

Quando finalmente deu sinais de vida, o autocarro tinha acabado de abrir as portas. Apressadamente ainda carreguei no botão, que demorou a reagir. Primeiro, "fugiu" o menu, tive de voltar a este e então carregar novamente, já o indivíduo estava dentro do veículo, onde reduziu consideravelmente o volume da música, embora não a desligasse. 

Assim que pisei dentro do veículo com o meu telemóvel em riste, como o vinha a ter desde que saí do metropolitano (até então estava no bolso), o rapaz de imediato começou a fixar-me. Acho que achou que o estava a filmar e pareceu que talvez não gostasse. Mantive o telemóvel na mão, mexendo nos menus e vendo a imagem do rapaz. Ainda que não conseguisse registar o momento mais alto de toda a situação, quis registar algo. 

O rapaz parece olhar muito para mim mas para ser honesta, eu nem liguei. Estava mais a olhar para fora da janela, a tentar absorver um pouco das parcas decorações natalícias. 

Nisto o autocarro chega a uma paragem, o rapaz sai e quando o pé já vai meio de fora diz-me assim: "Se isso aparecer nas redes sociais processo você".



Aquilo desiludiu-me. Deixou-me chateada.
A lata, o descaramento... e a cobardia.
Se tem algo a dizer, que o diga de modo a poder escutar uma resposta. Se quer fazer uma ameaça, que a faça quando já não está a fugir do local onde deixa a ameaça. 

Mas o que realmente me incomodou foi ele me nivelar ao seu patamar. Eu jamais colocaria nas redes sociais. Tenho noções de ética e respeito que claramente lhe escapavam. Estar a nivelar-me pelo seu exemplo deu-me asco. 

Gosto de registar momentos - todos os que poder, de inócuos a aparentemente relevantes. Gosto de fotografar sombras e paisagens. E geralmente aguardo as pessoas desaparecerem destas ou não ficarem identificáveis. Ainda assim, o que registo é para mim, não exponho ninguém em fotos que possa disponibilizar a mais alguém. A menos que não tenha hipótese, como por exemplo, se achar inusitado uma fila enorme para... comprar pastéis de Belém, por exemplo. Aí, se fotografo ou filmo a fila, esta é composta de seres humanos com rosto... algum terá de ficar mais exposto. Mas também, aí é local público. Até eu, por ter a semana passada circulado na baixa para ver as decorações natalícias, sei que fiquei registada por uma dúzia de câmaras que filmavam e fotografavam. Haviam turistas que, quando eu dava por ela, já me tinham enquadrado na sua mira fazia tempo.

Nessa ocasião, ao me dar conta que uns indivíduos estavam a tentar vender maconha aos que passavam, tentei registar a situação - mais uma vez pelo inusitado. Sempre ouvi falar mas nunca tinha "apanhado", ali, no centro da rua augusta, tal coisa. Mas claro: assim que o telemóvel que já trazia a gravar o ambiente tentou discretamente apanhar os indivíduos a abordar alguém, os mesmos pararam de o fazer. E eu acabei por afastar-me.

No fundo, sou uma colectora de vida. Só gosto é de registar os momentos tal como eles são. Fico triste quando os observo mas os perco, e lamento quando cessam só porque notaram que os tentava registar. Não pretendo com isso mais nada senão apanhar o quotidiano, o dia-a-dia, os costumes. Daqui a uns anos estes mudam tanto que será uma preciosidade existir qualquer registo dos mesmos. Basta pensar na dificuldade que é hoje ter em registo em vídeo ou fotografia de uma qualquer cena quotidiana dos anos 80 - como por exemplo aqueles rádios portáteis gigantes, com um deck para cassetes, usados na rua pelos "rockeiros", que se balouçavam ao som daquilo e que geralmente transportavam em cima dos ombros, bem perto do ouvido (como se fosse possível não escutar, ahaha) enquanto mascavam pastilha elástica para ter «estilo».  Este «puto» no metro não inventou nada que ninguém não tenha vivido antes, apenas era uma versão modernizada de um mesmo costume. 



Mas isso que descrevo é outro tema. Contudo foi essa situação que me enervou. O descaramento! A «ameaça» do rapaz, por temer ir parar a uma qualquer rede social. Ameaça essa que, se me tivesse afectado, seria no sentido de me alertar para ponderar fazê-lo. Nem se deixa rasto... Certamente ele o faria, sem pensar duas vezes. Se calhar já o fez a outros. Só posso deduzir assim, devido às circunstâncias.

Quem estava a cometer uma ilegalidade ali, que eu saiba, era ele. É mesmo proibido pela lei do ruído (e isso inclui o volume de música) produzir sons altos ou ritmados que possam interferir com o sossego e descanso das pessoas. Fazê-lo dá direito a coima. Penso até que nem é preciso esperar pela meia-noite - hora para a qual os ponteiros do relógio estavam quase a chegar. Julgo que é logo a seguir ao final de um típico expediente de trabalho das 9h Às 18h que não se pode mais fazer ruído. E este tipo estava a cuspir música a altos décibeis para toda a região escutar, desrespeitando o espaço dos outros. Quando pressente o seu invadido, aí é que se sente incomodado?
Achei de uma evidente falta de noção e falta de moral.



PS: gravei uns segundos da música, quando esta estava alta, não no volume máximo em que o tipo a pôs mas perto. Mesmo com um mau gravador - um gravador de tanga e com uns metros de distância, surpreendeu-me a clareza e nitidez que ficou registado. Quando souber como colocar aqui um clip de som - ou quando me apetecer saber, incluo porque isso é aquilo que falei acima: gosto de registar os momentos. Ler é bom, mas nada explica melhor do que ver ou ouvir.


domingo, 10 de dezembro de 2017

O susto que é o Facebook


Na última semana o facebook tem-me assustado.

Tem surgido como "sugestão de amigos" pessoas que já passaram pela minha vida. Algumas há muito tempo, mais de 20 anos, outras há dois. Pessoas que nunca mais vi, das quais não tenho contacto, nem conta de email... Reparem: há 20 anos NEM EXISTIA facebook.

E se perdes o contacto com pessoas que remontam a uma altura em que poucos tinham telemóvel, quanto mais redes sociais, digam-me lá, como é que o facebook faz isto??


É que não existem AMIGOS EM COMUM.
Se não existem, não podem ser sugeridos por esse meio de "coincidência".



Outra hipótese é terem ido buscá-los - pelo menos alguns - a uma outra conta de facebook que possa ter aberto num mesmo computador. Mas ainda assim, isso não justificaria o DESFILE de caras conhecidas e há muito perdidas que se tem verificado na última semana.


Desfile não é uma expressão mal empregue, pelo contrário. Já perdi a conta ao número de indivíduos do passado que regressaram fantasgoricamente através do facebook.


Ainda à instantes foi-me sugerido como amizade um indivíduo que quase nem liguei, até reparar duas vezes no nome. Bastou olhar para a localidade e os estudos para imediatamente confirmar a identidade. Há quanto tempo não lhe punha a vista em cima? Há 17 anos!



E há 17 anos - volto a repetir para quem não tem conhecimento de como se viveu no ano 2000, não existiam redes sociais. No máximo, deste indivíduo, fiquei com um antigo número de telefone. Nem conta de email dele alguma vez tive. E se tivesse, jamais a ela teriam acesso, pois o endereço que usava na altura não uso mais. Foi o primeiro que tive e o único até hoje a ser pirateado. 

Assim que me abstraí desta sugestão tremendamente espantosa, pus as vistas em cima de um outro indivíduo sugerido. Desta vez foi o rosto que me pareceu familiar. Abri para ver quem se tratava. Julgando que era um colega de um curso, reparo então que é um rapaz que conheci faz dois meses!


Conheci porque estava interessado em algo e escreveu-me por email. Trocamos correspondência parca e depois, como ele foi para inglaterra, encontramo-nos só para nos conhecer-mos. E nunca mais lhe pus a vista em cima, nem ele pareceu interessado em manter contacto.

Neste caso existe um fio condutor: o endereço de email.
Foi por ele que me escreveu, e por ele que falámos por um chat - que não é o messenger (que funciona dentro do facebook).



Voltando ao primeiro exemplo do indivíduo que deixei de ver há 17 anos, onde está a correlação? Não existe! O endereço de email que uso hoje não é o mesmo de então. E sem amigos em comum, sem nada... porquê mo sugeriu?

E isto é só a ponta do icebergue. Na última semana a quantidade de sugestões de amizade de pessoas que realmente conheci tem sido elevadíssima. Por volta de 20 sugestões são de pessoas que um dia cruzaram a minha vida. Se algumas são de há pouco tempo, podendo a sugestão ser justificada por pertencerem ao circulo de amizades de outras contas abertas no computador, não é o caso destas. E falo do computador de CASA, não de um público, que fica numa escola, por exemplo. Esses podem e certamente estão repletos de contactos diversos que podem ser sugeridos ao próximo que se conectar na rede do facebook.

Se isto acontece comigo, o mesmo deve acontecer aos outros. Ou seja: o meu facebook também deve ser sugerido a outras pessoas. A diferença - que eu espero ser significativa, é que no meu face tento não ter nenhuma fotografia minha ou de pessoas que me possam identificar, seja por grau de parentesco ou por amizade. Posso ter os meus pais como "amigos" no facebook. Mas não tenho porquê os identificar como pais. Isso já é disponibilizar demasiado pormenor num lugar público. E se não ando na rua a gritar o parentesco das pessoas que estão comigo nem transporto nenhum cartaz com essa informação, porque haveria de o fazer nas redes sociais? Por acaso é mais seguro lá?? Não me parece.


Se há uma coisa que desde cedo e por instinto entendi, é esta necessidade de privacidade, como forma de segurança. O que acabei de escrever é até uma falácia - pois estou numa rede social e SEI que não há segurança nem privacidade. Mas dentro dessa ausência, existem níveis que preservam ou expõem mais os indivíduos e a sua identidade.

Não entendo como pode alguém sair à rua e ter cuidados com a sua segurança pessoal, porque foi alertado para isso desde criança, e não sentir o mesmo ímpeto quando usa as redes sociais. A exemplo: Eu lá preciso de dizer o meu nome para escrever este blogue? Sou a portuguesinha e não sou menos autêntica por isso. Desde o tempo da escola primária, quando só existiam endereços e números de telefone de casa, sempre senti - ou foi-me ensinado - que a preservação dos dados pessoais proporcionava segurança.

A sobreEXPOSIÇÃO nunca trás nada de bom e talvez por intuir isso desde muito cedo, esta postura de preservação é algo intuitivo em mim e aplicado também nas redes sociais.

O meu facebook não tem o meu nome.
Tem um apelido. 
O meu facebook não tem a minha imagem.
Tem uma imagem.

Espero que, pelo menos assim, consiga alguma privacidade.
E caso seja sugerida a alguém, me ignorem.




sábado, 9 de dezembro de 2017

Lisboa não é amiga dos Lisboetas


Lisboa não é para os Lisboetas.
Não sei para quem é, mas talvez seja para os turistas.

Desde que cheguei que tenho tentado não me aborrecer com aquelas coisas que sempre me aborreceram. Coisas relacionadas com incompetência, falta de respeito, maus serviços, etc, etc.

Estou que não posso...
Tudo o que vou relatar gera um nível de stress brutal.



Seja em que hora for, andar nos autocarros da Carris é difícil, mas a um sábado é impossível! Só para quem gosta de ser torturado. Gostam de tortura? Viagem pela CARRIS

Se gostas de viajar apertado entre muitas pessoas, que ficam a respirar em cima de ti, a cuspir em cima de ti, a gritar nos teus ouvidos, a pisarem-te os pés, a darem-te encontrões, a segurarem-te a ti como se fosses um poste -- então Lisboa É PARA TI.

Os únicos que parecem não se incomodar com esta situação são exatamente os turistas. Estão sempre a gargalhar. Para eles tudo é uma festa. Estão de passagem, o que custa andar num autocarro/elétrico sobrelotado? 


É ouvi-los a rir, a falar uns com os outros sem parar, a dar gargalhadas. Acham piada. Piada ao facto de não se poderem mexer, de estarem num espaço confinado, de verem mais e mais pessoas a entrar e nenhuma a sair. Amanhã apanham um avião rumo a outro destino e a experiência teve graça. Mas para quem vive em Lisboa como é que é?

Divertido?
Dá vontade de rir?
Fica-se bem disposto?
Sente-se descontraído?

Dá vontade é de matar uns tantos...
Dá vontade de meter todos os ministros e políticos a viajar de autocarro!



Desde que cheguei a Portugal, seja a que hora for, não há um Sábado em que consiga viajar num transporte da Carris que não esteja sobrelotado. 

Se este é um dia da semana de muito movimento, então aumentem as carreiras, a frequência de carros e, no metro, ao invés de escolherem carruagens com apenas três elementos na linha verde e afins, continuem a usar os mais longos! 


Porque como está, é um desrespeito pelos utentes. Haviam pessoas a queixarem-se que não viam um autocarro passar fazia uma hora! E o pior, a meu ver, é a inutilidade das carreiras. Não há alternativas. Só se pode apanhar UMA. Podem passar cinco veículos numa paragem mas, para ir ao ponto C, só uma carreira serve. Principalmente a certas horas e aos fins-de-semana. É tudo tão mal feito - feito apenas para contenção de custos. Isso é tão visível que eu até já sei que, aos Sábados, vou encontrar um dos acessos ao metro vedado e metade das escadas rolantes desligadas. 


E depois vejo aquelas pessoas de mais idade, com uma mobilidade mais reduzida, a quererem sair do autocarro... e penso: bolas pá! Nem para estas pessoas são amigos. Não pensam no conforto das pessoas. Obrigam todas a viajar apertadas como sardinhas em lata. E se uma destas cai? E se magoa? Quem é o responsável? É que TODOS os autocarros em que hoje pus a vista em cima circulavam sobrelotados. Não havia alternativa. Para que entendam, hoje passaram pela paragem onde eu aguardava o meu uns três e nenhum parou! Por não terem mais espaço para receber passageiros!! 

É inadmissível.


E tu ficas ali, a vê-los passar sem parar para entrares, enquanto um electrico verde, decorado com azevinhos e conduzido por um pai Natal, passa pela rua a acenar...

O Pai Natal que vá mas é de trenó, que o que os passageiros precisam é de um elétrico livre! 


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Uma pitada de Humor


Faz tempo que venho a querer deixar aqui umas tantas piadas que tento memorizar. É difícil, por isso, aqui vão:

Sketch de Humor - o jantar:


Dois amigos conversam sobre as namoradas. O moreno queixa-se que a dele está sempre a obrigá-lo a trabalhar nas lides domésticas.

-"Não te passa pela cabeça! Ontem quis que eu limpasse o pó à casa toda."
-"E tu, o que fizes-te?" - diz o louro.
-"Limpei..."
-"Xi.... A minha não é assim!" - o louro diz a sorrir.
-"Então? Não te pede para lavares a louça? Ou fazeres o jantar? "
-"Nã. Ainda ontem apanhou-me a sair do duche e recusou".
-"Como é que foi isso, pá??"
-"Então, saí nu do duche, agarrei o secador e pus-me a secar os colhões quando ela entrou e perguntou o que fazia. Depois zangou-se comigo porque respondi que estava a aquecer-lhe o jantar.


Sketch de Humor - o sexo e a idade (dupla)


Um velhote ia a passar numa rua de prostituição quando é aliciado por uma trabalhadora.
- "Olá. Vai experimentar?"
- "Não filha, já não posso". - responde o velhinho.
A prostituta não desiste: "Animo! Tente. Aposto que ainda consegue, hum?"
O velhote segue-a e, como um jovem de 25 anos, dá três... sem descanso.
A prostituta, espantada, responde:
-"Nossa! E dizia que já não podia!"- diz, cansada.
O velhote responde:
-"Sexo eu posso filha, o que não posso é pagar!"



Um jovem prostituto decide anunciar os seus serviços colocando um cartaz à porta de casa, onde diz assim:
Na cama - 100 euros
No chão - 50 euros
No sofá - 25 euros 

Uma velhota que passava nesse instante saca de 100 euros e dirige-se ao rapaz.
-"Sua safadinha!" -  Diz o rapaz. "Quer uma na cama".
-"Não é isso. Na minha idade quero quatro no sofá!"

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Jornalismo que é uma seca


Quando cheguei a Portugal contaram-me que a seca fez com que ficasse a descoberto uma ponte do tempo dos romanos, em Alcácer do Sal, que ninguém punha a vista em cima fazia séculos. A minha curiosidade ficou ao rubro. E eis que encontrei na internet essa notícia, em duas fontes audio-visuais diferentes: TVI e RTP.


Para meu (pouco) espanto, ambas as notícias, sobre a mesma ponte, contam histórias diferentes
Afinal, como suspeitei, a história que me foi contada não é autêntica (a fonte deve ter sido a TVI).
A realidade é que a existência da ponte, normalmente submersa pelas águas da barragem do Pego do Altar, no rio Mourinho, era do conhecimento da gente local. Um miúdo mais novo que eu lembra-se de, em menino, ir para lá pescar com o pai. Ora, sendo assim, a reportagem da TVI, intitulada "Seca mostra ponte que não se via há 60 anos"  já começa no erro. 


No meu entender a TVI apresentou uma notícia muito mal construída, vergonhosa, com factos errados, superficiais e nada fundamentados. Datada do dia 28 de Setembro, devia fundamentar-se em factos conhecidos e já divulgados na véspera pela imprensa escrita, que suspeito ser onde os jornalistas das TVs vão todas as manhãs para obter fontes. O jornal Diário de Notícias, ao abordar o assunto no dia 27, facultou dados que contradizem os da TVI no dia seguinte. Em que ficamos? 

Foi TENDENCIOSA e superficial a forma como a TVi reportou esta notícia da descoberta da ponte em Alcácer do Sal, colocando unicamente o depoimento de pessoas que diziam nunca ter conhecimento da mesma. O «jornalista» repete que a ponte nunca foi vista por "esta geração" (e qual é "esta"? A do jornalista? A das pessoas de mais idade que entrevistou? Ou qualquer outra que ignorou?) e acrescenta «diz-se ser do tempo de napoleão». . 


Diz-se... "pode ser e pode não ser". Como não sabe, diz que «pode ser». E quem é que diz isso? Tudo bem se, de facto, fosse impossível saber-se quando a ponte foi feita, porquê e por quem. É esse o caso?

Não. Porque outros jornalistas, de outras fontes que encontrei, souberam responder a estas questões. Penso que até um idiota sabe que o «quem, quando, como, onde, porquê, o quê» são a base das notícias, tal como sempre foram a primeira coisa a ser contada em qualquer cusquice. E se outros descobriram esse facto, então foi preguiça do jornalista que não fez o trabalho de investigação que toda a peça - mesmo estas com este teor light- precisam. Não contente com o superficial trabalho, ainda aparece na própria peça, para repetir a rala e duvidosa informação que disponibiliza: a ponte não era vista «nesta geração» - informação repetitiva, por isso mesmo desnecessária e dispensável. Mesmo que não fosse, podia muito bem (e devia) continuar a ser contada com imagens locais. Mas não. O experiente jornalista teve de meter a sua cara junto com a notícia, para, suspeito, satisfazer o curriculo da vaidade... 


 Comparativamente, a jornalista da RTP fez o trabalho de casa e pelos vistos, encontrou informação sobre a ponte. Informa que a última vez que ficou à vista foi em 1999 (e não há 60 anos), entrevistou pessoas que assim o atestam e mais: sabe QUANDO a ponte foi construída: 1815. Ao entrevistar o presidente da união de freguesias de Alcácer do Sal (alguém com credenciais), ficou a saber que a maior ameaça à ponte são os turistas que aparecem e levam uma pedra para "recordação" e mostrou o acesso à mesma a ser vedado. Achei bem mais interessante falarem da ponte e não dos peixes que ficam nas poças... Que é o que acontece nas secas e não acrescenta novidade nem é sobre a ponte em si.

Dois jornalistas televisivos, duas formas tão diferentes de dar uma notícia. Um muito experiente, outra desconheço, mas vou deduzir menos experiente. 

Isto de se ser bom naquilo que se faz tem muito pouco a ver com os anos de experiência. Descobri este facto há pouco tempo, apenas. Uma pessoa pode ter fama, reputação e assim a manter por anos até a sua morte. Sem que a mesma corresponda à verdade. É comum todos os outros serem capazes de fazer o mesmo, mas cinco vezes melhor. Porém, por vezes quem já apanhou com luzes de estrelato, continua debaixo delas, sem mérito para tal.


Vejam ambas e digam-me o que acham destes dois exemplos de trabalho jornalístico.

TVI 

sábado, 2 de dezembro de 2017

Na quadra natalícia caem que nem moscas



Cansei-me. Todos os dias sou brindada com mais uma notícia da morte de alguém. Neste momento quero uma pausa, uma break, um intervalo. Parem lá de falecer, sim??


Foi o «tio» Belmiro, o grande João Ricardo, o Zé Pedro que ao que parece deixou mais de metade das pessoas aos prandos, e foram também uns ilustres desconhecidos mais próximos de amigos meus. Gente toda invejosa, que não pode ouvir falar de um falecimento que vão logo imitar!

Por isso parem lá de falecer, sim??

É que já nem me apetece sair de casa, não vá nesse pequeno passeio ser informada da morte do dia.
É Natal... sei que todos os dias morre alguém. Mas façam uma pequena pausa, ok?

E vocês, leitores, livrem-se de aprontar uma dessas!

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Só se assaltar alguém



Vocês não imaginam.
Fiquei surpreendida. Não sei se é sempre assim que funciona porque tenho falta de experiência nestas coisas. Passo a explicar: Os bilhetes para ir assistir à Final da eurovisão que vai acontecer pela primeira vez cá em Portugal foram colocados à venda "hoje", dia 30 de Novembro, pelas 10h.

Havia decidido que queria acompanhar de perto este acontecimento único, que provavelmente não terá repetição no meu tempo de vida. Desde que em Kiev ficou definido que o próximo festival ia ser em Portugal que havia decidido que queria estar presente para ver. 


Queria comprar bilhetes para oferecer e ia também assistir. Mas os bilhetes, colocados à venda nos «locais habituais» (seja lá o que isso quer dizer) e no site online blue Ticket, em segundos após as 10h da manhã já tinham uma fila de espera que ascendia as 30.000 pessoas! 

Às 10h e 10 minutos fiquei na FILA DE ESPERA, com mais de 30.000 pessoas à frente!!!



Não sou muito experiente nisto de compra de bilhetes mas já percebi que vai ser muito difícil. Mesmo impossível. Sei que é melhor comprar online, pois nos "locais habituais" existem filas intermináveis, problemas e imprevistos e, os bilhetes são mais caros. Mas já nem sei. 


Passado uma hora deram a venda por terminada, sendo que apenas cerca de 1000 pessoas conseguiram adquirir bilhetes. Os preços deste primeiro lote rondavam os 300 e 120 euros!! E eram para a plateia em pé, que fica junto ao palco. Como sou "velhota", prefiro lugares sentados. Ainda assim, como não tinha a certeza se a venda estava limitada ou não, a minha intenção era comprar. Mas não tive qualquer chance. 30.000 pessoas não saem da tua frente assim num ápice.


Cheira-me que muitas pessoas vão tentar fazer negociatas com bilhetes...


Percebi de imediato que conseguir ingressos para este evento será tudo menos fácil. Se o Eurofestival fosse na Patagónia ao invés de Portugal não seria mais difícil conseguir um ingresso. Pode até ser uma tarefa herculana, difícil e desesperante. Tenho mais hipóteses se assaltar alguém.   


A venda de mais um "lote" regressa dia 20 - e nem sei se vale a pena tentar, mas vou tentar. Desta vez provavelmente os lugares que vão disponibilizar será os de bancada, mais afastados do palco.

Uma coisa sei: gostava de lá estar. Para presenciar o momento, vivê-lo. Não tanto como espectadora mas também como alguém que observa os meandros da produção de um evento daquela envergadura. Gosto de cenas de bastidores, gosto de ensaios... Se calhar vou tentar comprar um bilhete para os ensaios, pois acho muito mais giro. 

Este evento faz-me lembrar a Expo 98, que não aproveitei. E depois andei ANOS a ouvir os outros constantemente a recordarem com sorrisos nos lábios e muitas boas memórias tudo o que lá viveram. Sinto que o destino está em «dívida» comigo... eheheh. Passados 20 anos, que venha a «segunda expo».


A julgar por esta amostra de venda de bilhetes, este festival vai ser uma loucura. É que são pessoas de todos os cantos do mundo! Vêm todas para Lisboa! Para o pavilhão atlântico (ainda o chamo assim mas agora chama-se altice e antes disso Meo Arena). A cidade vai estar ao rubro. Só espero que tenhamos envergadura para um evento destes e não envergonhemos os técnicos e toda a equipa da ESC que fez um trabalho esplêndido em Kiev.

Nunca mais lá entrei. COMO é? 
Vocês... querem ir?

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Ainda sobre aqueles dias antes do dia...


Sobre o assunto menstruação, para ser honesta ainda falta mencionar outros sintomas não físicos, mas emocionais.

É comum naqueles dias antes de surgir, sentir-se menos tolerância para coisinhas de treta. Fica-se mais irritável. Não, não é como nos filmes nem como se gosta de exagerar no imaginário popular. A mulher não vira um monstro que desata a atirar objectos em direcção aos homens e age irracionalmente. Essa descrição é diminutiva e visa minar a imagem da mulher na sociedade.


Também pode ser comum a vontade para comer certas coisas, como chocolate. Isso explica-se simplesmente pelo facto do organismo estar a precisar de alguma coisa que o cérebro sabe reconhecer que encontra em determinado produto. Como ele faz esta espantosa ligação, não se sabe. Mas a verdade é que seja pré-menstruação ou durante a gravidez, se apetecer à mulher ingerir algum tipo de alimento, é porque o corpo precisa. Mas neste requisito, penso que o género não faz qualquer diferença. Aos homens acontece o mesmo. É assim para todo o ser vivo. A única diferença, mais uma vez, reside na forma como a sociedade decide distinguir e exaltar esta característica ao género feminino, tornando-a em mais um traço que visa diminuir a coerência da mulher. 


Outro traço pouco mencionado, é a depressão. Mais uma vez, os filmes abordam esta questão sempre um pouco pelo lado da comédia. Mas a verdade é que as mudanças de humor existem. São usadas na ficção para as gags fáceis, mas não são tão bonitas assim. Preciso realçar nesta altura que, cada caso é um caso. Seja qual for o ponto mencionado: os desejos, a irritabilidade ou a depressão. Posso descrever aquilo que sinto e que os anos disto me fizeram identificar.

Nem sempre se segue o mesmo padrão, mas, por norma, existe uma ligeira diminuição dos níveis de tolerância. Então aquela «coisinha» que sempre te enervou, vai demorar muito menos a voltar a te enervar. 

Ele mastiga sempre de boca aberta? Porra que isso vai irritar-se logo na primeira garfada! Ao invés de te irritar na terceira ou te "aguentares" como de costume...  Este tipo de exemplo. Alguém não bate à porta antes de entrar? Porra que nunca mais aprende! - este tipo de coisa. Menos tolerância, maior irritabilidade mas, no meu caso, nada realmente muito significativo. Resmungo mais, por ter menos tolerância. Mas também tem alturas em que estou de bem com a vida. Vai-se lá entender!

Não sei se os homens entendem isto, porque presumo eu - neste departamento eles são mais acção-reacção. Que tanto pode ser uma bênção como uma catástrofe. Por isso são mais dados à violência - o que pode soar a uma ideia pré-concebida mas, na realidade, a sua condição hormonal ligeiramente diferente da feminina é o que lhes incute essa predisposição. Não é à toa que mal se ouve falar de mulheres que violam homens, é quase sempre o contrário. Uma mulher quando sai de casa, tem de estar atenta a muita coisa. Um homem também, mas o medo de ser violado dificilmente será um deles.

Ai, mas o que me deu para falar! Eheheh. 

Voltando ao assunto principal: a depressão é um dos sintomas menos agradáveis que podem surgir - ou melhor - ser ampliados, nesta altura do mês. A depressão faz com que se pergunte para quê se vive. E obtem-se como resposta uma consciência clara de que não se está cá a fazer nada. E tudo o que nos aguarda não é nada que devamos aguardar com um sorriso no rosto. Vamos todos morrer um dia, porque não pode ser logo? É o tipo de pensamento que ocorre com mais frequência nestas alturas, em certas situações. 

Não quero dizer com isto que se deseja morrer, mas é como se fosse, porque vida, morte, tudo não passa da existência em si. Objectivos, lutar para ganhar dinheiro, correr para um trabalho... tudo parece não ter relevância ou fazer sentido. 

E depois? Depois respira-se fundo e continua-se numa rotina... 
A correr para o emprego, a tentar ganhar dinheiro, a fazer tudo o que nos foi incutido. Ano após ano... Envelhecendo nestas rotinas e stresses. No fundo sabe-se que tudo isso não é nada, porque vida, morte... não somos nada. 


E pronto. Este é um outro lado que todos nós podemos vivenciar, homem ou mulher, mas que, por alguma razão biológica, parece que a mulher é capaz de estar mais sujeita a estes pensamentos e emoções nestes dias em particular. Suspeito que o homem também sente o mesmo «desespero» e receios, até os tem muito presentes no dia a dia. Mas todos nós fazemos o que nos foi incutido: há que afastar estes pensamentos e continuar com as rotinas.

É isso que é viver.