quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Afogada num mar de smartphones


Ando a ler sobre smartphones porque estou a conjecturar adquirir um «melhorzinho», já que o que sempre gostei de fazer desde pequena quando nada disto existia, era gravar vídeos e tirar fotos. 


Mas cada vez que vou pesquisar sobre um qualquer modelo, sinto-me a afogar!
Afogar em dados e mais dados, que não me fazem decidir nem por A, nem por B, nem por C, nem pelo A edge, B egde, A4, A5, A5x....



SOCORRO!!!


Porque é que dificultam tanto as coisas??



Tive o primeiro smartphone no Natal de 2014. Ainda é esse o telemóvel que tenho. Foi dos mais baratos e não tem grande capacidade de armazenamento interno (apenas 500mb que é «todo» consumido pelas aplicações básicas). A câmara é uma piada. Mas é o que me tem servido até hoje.

Por isso estou a pensar investir numa máquina superior. Para ter boas fotografias, com bom contraste, cor e definição, sem ter de recorrer a um programa de melhoramento de imagem.  O mesmo para os vídeos.


A questão é que já pesquisei talvez uns 30 smartphones e não consigo decidir nada. Ora o sistema operativo X é melhor que Y, ora a câmera é dual mas não é top, ora as cores são estranhas, ora é «tudo de bom» mas existe um «efeito gelatina», e depois existe a questão do preço - que aqui nem coloquei como um problema. Vou até onde achar que mereço ir, desde que obtenha o que pretendo. 

O problema é mesmo conseguir entender, dentro do que existe, qual aparelho oferece as melhores condições para o que pretendo! Cada vez que vou pesquisar são todos bons, todos com variados preços bem dispares.  Sinto-me perdida. Por mim estava decidido: comprava todos, usava-os e depois tomava a minha decisão! Mas não é assim que pode ser...


Aderi a canais do facebook e do youtube de pessoas que só fazem críticas a lançamentos de equipamentos como smartphones, incluindo um tipo chamado Tiago que faz testes como eu gosto: com vídeos e fotografias, em simultâneo, comparando dois produtos distintos. Mas quando pensei que tal recurso podia ajudar, senti-me novamente a afundar num mar de informação.... Porque se entre A e B gosto de A, entre A e C já não tenho a certeza. Juntando D, F, G e o novo A versão X, afundo de vez.

E neste mar de excesso de informação, pouco se consegue decidir.



quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Eu escrevo, que mal tem??


Eu sou de comunicar pela escrita. 
Nesta casa já me assumi como uma «escritora» de bilhetes.
Cada vez que precisei comunicar algo aos restantes moradores da casa, como é raro nos vermos, principalmente todos de uma vez, é comum escrever uma nota e deixar na cozinha.

Foi assim desde o início.

Por qualquer coisa que pretendia saber ou comunicar eu escrevia um (por vezes longo) bilhete e afixava na porta do frigorífico.


Foi o que fiz quando precisei avisar que acabou-se a luz e precisávamos colocar dinheiro. Foi o que fiz quando em Fevereiro me ausentei por uma semana - deixei bilhetinho a avisar que ia estar ausente. Foi o que fiz quando desejei FELIZ NATAL a todos, em Dezembro: escrevi email, enviei cartão postal, decorei a casa... Escrevi também bilhetinhos para qualquer coisa: principalmente para disponibilizar comida que de outro modo seria desperdiçada. Um bolo-rei, três pão em baguete, chocolate, iogurte, donuts, legumes e frutas congeladas, café acabado de moer, cerejas acabadas de colher...

ENFIM.

Eu escrevo bilhetes no intuito de comunicar. Não vejo nada de mais nisso. Até já deixei bilhete escrito quando não percebi porquê a máquina de lavar novinha não estava a ligar. E escrevi bilhete quando nos atrasamos nas limpezas da casa e pedi para apanharmos o ritmo porque vinha aí um novo inquilino. 
Há momentos porém, surpreendi-me com um pedaço de conversa que me pareceu escutar. Acontece que ontem, quando num raro momento em que me alimento nesta casa, fui até à cozinha preparar uma salada para comer, fi-lo em frente ao sítio onde há uma semana colocaram o comprovativo em papel de carregamento da eletricidade e gás. Já nem me lembrava disso. Ora, o «novo» inquilino às tantas entrou na cozinha (o que faz amiúde quando escuta pessoas lá) e às tantas ao ver o papel pergunto-lhe se já haviam dito à penúltima sobre o carregamento. É que ela não estava quando precisamos fazer o depósito, por a eletricidade ter chegado ao fim. Estava apenas a 50 centimos de ser cortada! O que significa que ela não entrou com a sua parte. Na altura os dois começaram logo a dizer que depois se pediria a parte dela quando chegasse. Só que ela já chegou faz uns dias e eu ainda não a vi. Já a ouvi, em conversa com ambos os dois. E por isso perguntei ao primeiro que me apareceu à frente se já haviam falado com a penúltima. 

Vai ele, que até foi o que meteu mais entraves e sugeriu que pagássemos menos que o habitual e a seguir cobrássemos pessoalmente 10 libras da penúltima pela parte que lhe competia, responde que «não quer meter-se nisso» e que «deixava para nós» por «não gostar dessas coisas». Ao que eu respondo »mas eu também não gosto!». No sentido de que ninguém gosta de cobrar dinheiro de outra pessoa... Ele sugere que se diga ao outro inquilino - o que está aqui há mais tempo, para o fazer. O que eu não entendo bem... porque não vi necessidade de «designar» uma pessoa em particular para a simples tarefa de dizer a um residente para dar a sua parte. Não é algo extraordinário. É de se esperar ter de se pagar contas, pelo que é uma comunicação esperada. 

Mas não pensei mais nisso e fui à «minha vidinha».
Vai daí decido ir às compras e ao descer para a cozinha, vejo o papel e lembro de deixar um bilhete. A verdade é que lembrei que ainda não sei fazer o carregamento para se ter eletricidade. E por esse motivo quando percebi que apenas se tinha 0.50 centimos, e estava sozinha na casa, pensei em ir imediatamente carregar algum só recorrendo a dinheiro meu. Mas como? Se ninguém me mostrou até hoje (não por falta de o pedir) como se faz??

Corremos o risco de ficar às escuras só porque apenas uma pessoa nesta casa «guarda o segredo» de como se faz o top-up (carregamento) das contas a pagar. Ocorreu-me então que se a penúltima desse a sua parte, como estou no meu dia de folga, era capaz de ser esta a tão aguardada oportunidade para finalmente saber como se faz o top-up. E essa simples e rápida lembrança fez-me escrever um simples e simpático bilhetinho.  


VAI QUE HÁ MOMENTOS oiço o mais novo inquilino abordar o mais velho e só escuto o seguinte: "é para deixar as coisas claras"... "não fui eu...." E o outro responde: "não faz mal, ela não estava em casa. O que importa é que temos eletricidade".

Lol.
Não é preciso muita inteligência para fazer a ligação do raciocínio. O «mais novo», com receio de o interpretarem na sua verdadeira natureza (na realidade está preocupado mas não quer passar essa imagem) tratou de «descartar-se» de qualquer autoria pela presença do bilhetinho.

Como se o bilhete tivesse algum conteúdo ilícito, ofensivo. 
Atribuindo ao mesmo essa conotação!!

E quem o escreveu? Eu...
A quem estava ele então a «passar a responsabilidade» desse «gesto ofensivo»?
A mim.

Fez-me sentir uma pessoa vil por estar a lembrar a uma pessoa que na sua ausência foi preciso pagar as contas da luz e gás! 


Não achei bem.
Não gostei mesmo nada.


(PS: sobre o novo inquilino já estive para vir aqui fazer uma actualização. Mas adiei por preferir dar destaque a outros temas que não estes domésticos. Por isso está em falta uma «actualização» e contextualização. Que agora é necessária para contextualizar o que por aí poder vir). 

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Lancei uma moda


Sem o desejar e sem os outros admitirem, acabei por lançar uma MODA no local de emprego.

A moda da trança no cabelo!!



Como o tenho longo e preciso de o prender, o mais prático e também mais saudável, é a trança. Que comecei a usar quase todos os dias, por volta de Janeiro. Os elogios não tardaram mas, como sempre fiz, dei pouca importância aos mesmos. 

Há coisa de umas três semanas é que dei conta do «fenómeno». 
Ao circular pelo emprego, fui dando conta que cada cabeça que me aparecia à frente tinha trança. No dia seguinte o mesmo, e depois o mesmo... e aí percebi que me estavam a copiar eheheh!

A este tipo de pessoa dá-se o nome de "aquela que faz os outros seguirem uma moda". A «lança-modas».

É curioso perceber que, após tantos anos, ainda tenho esta capacidade extraordinária. Sendo que o espanto está no facto de não dar qualquer importância a modas nem me envaidecer com elogios. Elogios esses que outros escutam e, na esperança de receberem também uns, vão e imitam o «elogiado».

Agora as cabeças do mulherio - excepção feita para duas - estão «infestadas» de tranças. Não importa o tamanho do cabelo, lá conseguem entrançar uns fios. 


E sei que não chegaram lá sozinhas por lhes conhecer as anteriores opiniões sobre os próprios cabelos. Uma só o queria «eriçado», porque dizia que não tinha volume então todos os dias exibia com vaidade o cabelo que mais parecia palha seca. E quando lhe diziam algo menos bom logo respondia que adorava e não ia mudar. Já o namorado dela foi dos primeiros a elogiar o meu cabelo, primeiro pela reacção de espanto e agrado que vi nos maneirismos e olhar. Dele e de outros, ao que reagi fingindo não reparar. Disse-me que gostava muito de me ver com trança e com ele solto (antes de o prender). É muito raro aparecer com ele solto mas os poucos que me viram reagiram com espanto e agrado, ficando a mirar. O que é natural, quando se convive de uniforme e cabelo apanhado. Quando calhei dizer que o pretendia cortar pareceu ficar incomodado e logo mostrou-se contra, dizendo-me que tinha um cabelo bonito de que ele gostava muito :)

Vai que há coisa de três semanas, um dos gerentes - gay, decidiu, mais uma vez, elogiar-me o cabelo. Só que o fez assim no meio de muita gente, durante o expediente. Elogiou-me numa trança e, a brincar, perguntou se «podia ficar com a minha trança» porque só lhe dava vontade de pegar numa tesoura e mo tirar. 

Depois deste instante, a «enxurrada» de cabelos entrançados não demorou a chegar, eheh.
Quase todos em cabeças de mulheres vaidosas, que tinham um estilo diferente e diziam estar satisfeitas.



O que é o poder de uma trança no cabelo certo, hei?
Ou então o poder de encantamento que o cabelo longo tem nos homens... gays ou heteros.


Mal sabem eles que o «cabelo da inveja», o cabelo inspirador de modas - este que carrego na cabeça e que não acho nada especial é somente uma amostra do que um dia chegou a ser. Está nos últimos momentos da sua vitalidade. E não sabem o quanto me entristece viver todos os dias com a sua queda irreversível.

Porém isto serve para eu descobrir que tenho de apreciar o que tenho, enquanto ainda tenho e para voltar a constatar que, mesmo algo que para nós não está bem, pode ser para outros um alvo de inveja e desejo. 

Boa semana, pessoal!!



sexta-feira, 8 de setembro de 2017

♫ Jingle Bells...


Em Portugal também já está assim??


quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Valorizando a Caixa Registadora


És bom no teu trabalho se fores o que colectou mais dinheiro dos clientes

Foi a essa conclusão que cheguei após escutar a conversa entre três chefes. Falavam de empregados quando chegaram ao nome de um rapaz. Um dos chefes não estava a lembrar-se de quem se tratava pelo que depois de uma breve descrição lembrou-se. A descrição que mais usaram para o definir foi «ele é muito bom». Mas já não se lembravam onde ele andava. Por fim, curiosos, chegaram à conclusão de que o «muito bom» já não estava a trabalhar na empresa. Talvez para lá de dois meses. Ninguém sabe quando foi embora!

Fui eu que adiantei: Acho que ele só pretendia ficar até finais de Junho, Julho - participei.

Estamos em Setembro. 
Passou Julho, passou Agosto. E veio Setembro.
Em todo este tempo ninguém sentiu a falta do «muito bom».

E o que achei realmente grave: ninguém sabe as circunstâncias em que saiu da empresa. Se comunicou a alguém, a quem, ou se algo terá acontecido. Só chegaram àquela conclusão por um deles ter avistado um documento que permite essa dedução. 

Mas eu adivinho. 
Trabalhei com ele e escutei a sua postura diante da empresa. O «muita bom» estava a cagar-se para aquilo. O «muita bom» não pretendia ficar ali muito tempo. O «muita bom» só gostava de gabar-se. Era tão inconveniente e fazia comentários irritantes que até teve um superior a «relembrá-lo» quem mandava ali. Achava-se o maior, o melhor. O mais rápido e ele próprio dizia a todos os outros que era quem mais fazia dinheiro todos os dias. 

Mas como é que o «muita bom» conseguia essa proeza?

O «muita bom» era LADRÃO de clientes. 
O «muita bom» encostava-se à caixa registadora e não se afastava muito desta. Recusava-se a fazer todos os outros trabalhos dentro do bar, como arrumar os copos nas prateleiras. Porque nesse simples ato podia perder um cliente para outro colega e isso arruinava o seu objectivo de ser o «maior». O «muita bom» deixava o trabalho pesado para os outros. E se avistasse um cliente a aproximar-se do lado oposto, mesmo que um outro colega estivesse mais perto e já a estabelecer contacto com o cliente, ele ignorava e «roubava» o cliente.

Outros ali fazem o mesmo.

E ele era mentiroso. Gostava de inventar histórias. Porém descobri-o também traidor e vil, porque quando serviu de testemunha do conflito que tive com o bully, vim a descobrir que todo o seu depoimento foi inventado. Foi como ler um conto de ficção científica. Ele pôs-se a relatar acontecimentos que não presenciou, atribuindo falas às personagens que jamais foram pronunciadas. Só que as «personagens» não eram ficcionais, eram pessoas de carne e osso e ele não teve escrúpulos em brincar com a vida de outras pessoas. O que demonstra mau carácter. 

Por isso não considero este tipo de empregado «muito bom». Considero-o bem mediocre e de pouca confiança. Porque além de «roubar» clientes e recusar-se a trabalhar, também dava para entender que estava-se nas tintas para tudo. Se isso é ser «muita bom»? Acho que é o oposto.

Cheguei à conclusão de que uns são «formiguinhas obreiras», como certamente é o meu caso. E outros são as «rainhas da colmeia» ou as «celebridades» locais, que irradiam um falso brilho sobre o qual giram os mosquitos e outros insectos parasitas. E nem sempre estas pessoas são melhores pessoas. Muitas vezes, são até o oposto. Tirem-lhes o apoio das formiguinhas obreiras e não são nada. Contudo, são as formiguinhas obreiras que são consideradas dispensáveis. 


domingo, 3 de setembro de 2017

Falta de empatia - 2


Fiquei em CHOQUE
quando uma colega no emprego a quem pedi uma troca de turno recusou-se a colaborar. Ela sabia que os meus motivos se prendiam com a presença de família aqui em Inglaterra. Família essa que não tive oportunidade de ver porque estamos em áreas diferentes do país. Mas como vão ter de se deslocar à cidade onde estou a trabalhar, com a troca de turno tenho uma tarde para estar com eles. Essa colega sabia de tudo isto, veio até puxar conversa comigo para me extrair informações sobre os meus familiares. Quem eram, o que faziam, se já tinha estado com eles, etc. Há semanas ela estava a sentir-se revoltada e chateada com uma situação no emprego e eu «emprestei-lhe» os meus ouvidos, nos quais ela pode desabafar. 

Além destes factores também existem bons motivos práticos para ter contado com a colaboração dela, tendo sido apanhada de surpresa com o «não» e o motivo fútil que apresentou. Muitos deles só os juntei DEPOIS da sua recusa, o que só fez foi revelar de vez e solidificar a então ténue malícia e egoísmo que pressentia no seu carácter. 

Ela só vai trabalhar dois dias entre as folgas. O que significa que a troca não a ia desgastar de maneira nenhuma. Seria o primeiro dia de trabalho dela e só teria de entrar três horas mais tarde. O que significa três horas a mais para dormir, não ter de acordar de madrugada e poder estar mais tempo na cama com o namorado. Mas ela recusou dizendo apenas que «não queria sair mais tarde». 

Não é por querer ficar com o namorado depois, não! Porque este também trabalha ali e vai entrar exatamente quando ela vai sair. Ela estaria com ele sim, se aceitasse a troca. Ia partilhar três horas do seu dia com ele, se aceitasse. Da forma como está, os dois só dormem na mesma cama mas não se vêm. Porque quando um está a entrar em casa, o outro está a sair. Nem é por ter família com quem quer estar depois, porque não a tem. Nem muitos amigos próximos. Foi simplesmente por lhe ter sido dada a oportunidade de «ser cabra», como diz algumas vezes. E por egoísmo. Visto que quem sai três horas depois tem trabalhos diferentes para concluir, geralmente mais «chatos». 

Mas tudo acontece por um motivo e a sua recusa ajudou-me e muito. 

Julgo que de hoje em diante não vou mais iludir-me a respeito de quem ela é. A sua juventude e personalidade tagarela disfarçava um pouco a sua malícia e preguiça. Mas ela escolheu deixar bem claro que lado prefere mostrar comigo.  

Sei que um dia o Karma a vai apanhar pela sua falta de empatia. Principalmente quando esta não lhe custaria quase transtorno algum. Por isso é que foi feio e revelou que ela carece de aprender a lição sobre nos ajudarmos uns aos outros, porque um dia sou eu, no outro serás tu. É claramente uma lição que a jovem está a precisar aprender. Será a vida a lhe dar. Não é assim que todos nós aprendemos as nossas?

A sua recusa também me fez aprender. 
Ajudou-me a entender quem é.
Ajudou-me a entender quem preciso de ser (e teimo em não conseguir).

E ajudou-me a encontrar pessoas de melhor carácter. Prontas a ajudar o próximo.
É sempre bom quando se identificam pessoas assim! :D


Fiz a troca à mesma e no processo confirmei quem são as pessoas de carácter mais nobre com quem posso contar.





sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Falta de empatia


As aranhas voltaram a fazer-me das suas.
Há dois dias avistei, pelo canto do olho, algo a mexer e quando pus os olhos em cima da carpete, lá estava ela, grande, cheia de pernas! A atravessar o quarto em direcção à cama.



Consegui esborrachá-la mas a malandra ainda lutou pela sobrevivência e, com menos uma perna, tentou fugir. Implorei para que fosse um golpe de misericórdia pois, a pesar de tudo, não me agrada matá-las e, a ter de fazê-lo, não quero que seja demorado.

Hoje por volta das três da manhã, a cena voltou a repetir-se. No mesmo local, o mesmo tipo e tamanho de aranha!

Já não gostei. É uma frequência demasiado grande e não acredito muito em coincidências. Comecei a pensar que certamente existe uma razão para elas aparecerem mais vezes. E claro que atribuo essa possibilidade a alguns hábitos que se praticam na casa. 

Aqui deixam-se as janelas abertas durante a noite. E as luzes do corredor, que iluminam essas janelas, também acesas. As portas dos cómodos em comum não são fechadas, pelo que qualquer inseto ou praga no exterior tem uma espécie de "farol" a guiá-lo para o interior.

Quando o colega esteve de férias, por casualidade de uma grande ventania, começou-se a fechar as portas e, ocasionalmente, as janelas. E não é que tudo melhorou?

Não apareceram mais insectos ou aracnídeos, pelo menos no piso de cima. 
No piso de baixo, por dificuldade em chegar às pequenas janelas superiores que o colega abriu sabe-se lá como, acaba-se por as deixar abertas 24h por dia. Mas essas portas - a da cozinha e a da sala, ocasionalmente são fechadas.

Por exemplo, quando a penúltima colega fez da mesa e cadeira da sala um estendal de roupa durante quatro semanas, começou a fechar a porta para deixar mais "oculto" toda a desarrumação. 


Acontece que, em ambas as ocasiões, quando elas me apareceram dentro do quarto, tinha acabado de ir ao WC onde também vi outras de tamanho considerável mas menores, e as esborrachei. Desde que cá estou a morar tenho visto sempre aranhas nesta casa. Por vezes ignoro-as, a maioria das vezes, tento escorraçá-las ou eliminá-las. Depende. Mas quando dentro do meu quarto e de noite, enormes que são, não consigo simplesmente "ignorar". Pois se adormeço sei lá o que elas decidem fazer... 
De dia vejo-as, estou ativa, se uma se aproximar provavelmente dou conta. Mas de noite quero é entrar no sono... Não quero preocupar-me com o ter uma ou duas a rastejar-me pelas pernas acima ou a passear no meu rosto e cabelo.

Aliás, o primeiro «contacto em primeiro grau» que tive com uma aranha nesta casa, foi precisamente durante a noite, luz apagada, computador aceso. Mexia na cabeça quando dei conta, graças à luz do aparelho, tinha uma pequena aranha pendurada no cabelo. Esta acabou por cair em cima do portátil e enfiar-se dentro do teclado. Aí é que não dormi em condições, pois a sabia viva, capaz de escapar do seu esconderijo de volta para o meu corpo ou então procriar centenas de outras aranhas dentro do aparelho eletrónico!

Aqui nesta casa, quando partilho as minhas preocupações com as aranhas - o que até agora só fiz realmente duas vezes num espaço pouco maior que três meses, brincaram com a situação. 

E foi assim que ainda há instantes, numa rara ocasião em que vi a penúltima colega a aspirar o quarto dela que fica ao lado do meu - quarto esse no qual ela mantem a luz do teto acesa durante toda a noite, até amanhecer e deixa a janela aberta -  pedi-lhe que "aspirasse" a aranha esborrachada durante a madrugada. Pois eu já não tive coragem de abrir a porta do quarto e sair para o corredor, onde poderia encontrar mais aranhas. Nem a apanhar com papel higiénico e atirá-la na sanita, pois é onde poderia encontrar mais aranhas. Mas acima desses motivos, não saí do quarto por causa dos outros que estavam nos seus. Não quis incomodar ninguém. Caso visse outras aranhas e estivesse sozinha em casa, tudo bem. Podia fazer barulho na tentativa de "caça" às mesmas e até dar uns «gritinhos» mais altos. Mas havendo outras pessoas em casa, procuro ser atenciosa. 

O que fiz, estando assustada com a experiência e já amedrontada que se volte a repetir esta noite, foi escrever um email a todos os colegas dizendo o que aconteceu, re-admitindo que tinha um pouco de fobia a insectos durante a noite e que por esse motivo, ao escurecer ia passar a fechar as janelas das casas-de-banho.

Não esperava grande feedback mas quando pedi à penúltima para «sugar» com o aspirador a aranha, ela fez pouco caso. 
-"Ah, a aranha" - disse um pouco em tom de desdém já a dar-me a entender que tinha lido o email escrito fazia umas quatro horas antes. Depois acrescentou: 
- "Eu nunca encontrei uma aranha no meu quarto".

Pois claro que não. Naquele quarto em que só hoje vi a cor da carpete, onde mantém tudo apilhado, ela dificilmente encontra o sapato que dá com o outro sapato. Alguma vez ia reparar numa aranha? Nela os bichos podiam fazer habitat...

Mas subitamente senti-me triste. Pela falta de empatia.

A solidão que nos faz sentir errados e excluídos

Percebi o quanto é grave. Seja pelo medo de aranhas ou por outra coisa qualquer. Eu procuro não cair nessas mesmas armadilhas... mas fiquei a pensar que o Karma é lixado. Se eu tenho esta «fobia» a insectos durante a noite, certamente que outros terão outras paranóias. Não é porque não têm esta que estão imunes. Por isso não deviam fazer troça ou pouco caso de quem as tem. Porque mais tarde ou mais cedo, também eles serão confrontados com alguma espécie de "fobia". Todos temos alguma coisa... 

A colega com quem mais falava deixou a casa ontem. Já cá está outro. Quando ela leu o meu email sobre os insectos, contou-me que se riu com a resposta do colega masculino (que me aconselhou a apanhar as aranhas e a libertá-las no jardim das traseiras). E contou-me que tinha um amigo que não podia ver aranhas, que se visse uma fugia e não aparecia mais. Na altura aquelas palavras caíram-me bem mas hoje percebi que, com essa história, ela tratou-me com normalidade e até me fez sentir uma pessoa acima da média, pois eu não desato a correr das aranhas. Por muito que me custe, tento lidar com elas sem ir chamar terceiros. Mesmo não gostando.

Até conheci esse seu amigo com medo de aranhas, pois ele passou cá uma noite. 

A aranha foi a principal inspiração para o monstro ficcional
no filme Alien

O problema é que as pessoas cosmopolitas deixaram de temer estes insectos e rastejantes, preferindo ignorar e o seu poder como parasitas. Depositam demasiada fé na medicina e confiam demais na inofensividade dos referidos. Como não vivem no Brasil, ou em África, onde simlpes mosquitos continuam a ser a principal causa de propagação de doenças que causam muitas fatalidades, gozam e menosprezam o poder assassino que todos têm. 

Por estas bandas pode até ser raro um insecto causar grande devastação. Mas não é impossível. Uma simples googlada na net e já se percebe que uma aranha pode causar alergias de pele, problemas de saúde, pode até alojar-se no ouvido humano sendo que o hospedeiro só tem como sintoma uma dor de cabeça... enfim. Eu não quero dar a mínima hipótese de me tornar hospedeiro de nada. Esquecem que os insectos e os parasitas SÃO aqueles que vão aparecer para te devorar no segundo em que virares cadáver. Os insectos podem ser minúsculos, mas não são brincadeira...



São Pedro APAIXONOU-SE


São Pedro apaixonou-se...
Por mim!


Então o malandro faz de tudo para chamar a minha atenção. Tal e qual um adolescente pueril, cada vez que se aproxima a minha folga, ele parece que vai dar sol, mas manda chuva. 

Durante toda a semana passada as redes sociais anunciaram que o Reino Unido ia ter esta semana a maior onda de calor dos últimos anos - vejam só - dos últimos anos. E assim que estou quase a ir de folga o tempo dá ares de mudança. No dia de folga o que São Pedro faz? Manda chuva!

E da grossa.



E o que eu fiz a São Pedro?
Fugi das investidas dele.


Corri para o sol. Fugi das nuvens. Afastei-me uns quilómetros e ele mandou trovoada e chuva torrencial. Corri para o lado oposto e ainda lhe apanhei uma abertura de hora e meia de claridade sem pluviosidade.



Foi muito bom.
Finalmente, uma réstia de sol quando parece que está sempre a chover.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Dueto Mãe e Filha


Ainda... Luisa e Zizi

Que bom quando talento se transfere!


Quem és tu?



Quem és tu?
Tu não és eu!

(após mirar o meu reflexo)

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Para fazer:


Coisas que não fiz:




sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Uma artista descoberta pelas novelas


Decorria o ano de 1980 e .... oito?

Não importa. Sem querer denunciar a minha idade pois certamente nem era nascida (lol), a novela Selva de Pedra estava no ar e sempre que a personagem-vilã, a Fernanda (Christiane Torloni), aparecia no ecran, triste, melancólica, maquiavélica e doida porque o seu amado Cristiano (Tony Ramos) não lhe ligava nenhuma e só queria saber de Rosana/Simone ( Fernanda Torres), soa a música "Perigo" de Zizi Possi

Esta é a versão mais parada que encontrei 
mas nada que se compare à acústica


Ora, nos anos 80 descobrir o nome de uma música estrangeira que não passava nas rádios e saber quem a cantava podia ser uma pesquisa de meses. E infrutífera. Tratando-se de banda Sonora de novela só se a mesma fosse lançada em disco (daqueles grandes) ou em cassete (um rectângulo de plástico com fita magnética no interior) é que essa descoberta era facilitada.


Nunca soube se a trilha sonora de "Selva de Pedra" teve lançamento em Portugal. Talvez tivesse tido já que só as músicas internacionais incluídas na novela eram por si só muito tocadas na rádio (Yes, de Tim Moore). Porém quase podia apostar que teve "lançamento" nas maravilhosas versão-piratas que, embora não cantadas pelos artistas originais nem tocadas com a mesma instrumentalização, informavam na capa quem estes eram.


Perigo - de Zizi Possi, foi inúmeras vezes instrumentalizada num ritmo slow para condizer com o estado de espírito de "Fernanda", que era psicopata. E a música por si mesma, só a melodia, tocada devagarinho... é linda.

Não devo ter descoberto quem a cantava ou qual era o nome até poder digitar num motor de busca "trilha sonora novela Selva de Pedra". 

A música é de 1986, aqui original cantada em playback 
num programa de estúdio típico da década de 80

A Globo, que fez a novela, sempre fez versões acústicas dos seus temas centrais, nacionais e estrangeiros, mas quase nunca lhes deu importância de comercialização. Ainda hoje esta versão lenta e instrumental não existe fora da novela e mantêm-se viva somente na minha lembrança. Um dia talvez a consiga, tal como consegui outras: através da "colagem" de excertos. 

Antigamente fazia-se assim, quando não existiam outros recursos: gravava-se tudo o que se podia da televisão para o rádio portátil (a qualidade era impressionante de boa, tudo devido aos aparelhos em stereo serem bons) e quem tinha dois decks de cassetes (como era o meu caso) punha os excertos a tocar num lado e no outro carregava no botão de gravar. O mais interessante nesta prática era a precisão. Tinha de se ser meticuloso e ter bom ouvido, além de se ter de conhecer bem os aparelhos. Estes tinham a grande vantagem que hoje não existe: reacção imediata. Hoje tudo é retardado: mudar de canal com o telecomando leva segundos, carregar na pausa de gravação leva segundos... Mas antigamente não. Era imediato. E era muito divertido brincar ao corta-cola, mesmo com a transmissão em direto.

A novela está disponível, na íntegra, algures por esta internet maravilhosa. Por isso esta velha técnica ainda é tarefa possível, facilitada pelos recursos tecnológicos disponíveis para o grande público porém ainda morosa. Só quem tentou fazer isto sabe que, por mais vezes uma melodia surja numa novela de 150 episódios (!!!), raramente aparece sem ruído ou vozes de fundo. Menos ainda passa dos principais acordes. 

Mas toda esta INTRO para falar da segunda melodia de Zizi Possi numa novela, que também foi um estrondoso sucesso. Dez anos depois a cantora brasileira neta de italianos, «pegou» numa melodia de Andrea Bocelli e transformou-a nisto:


Fiquei surpresa com a sua capacidade vocal. Maravilhosa! Uma melodia difícil de cantar mas que ela canta com suavidade como se não lhe custasse absolutamente nada. Gosto desta melodia por toda a sua instrumentação, por incluir violinos, piano, pela composição e por aquela pausa que sempre me impressiona. Agora gosto mais ainda porque, a pesar de reconhecer algumas palavras em italiano, o total significado e a própria letra passou-me ao lado da melodia. E é um poema! Lindo!!

 Andrea Bocelli grita-a bem, mas Possi dá-lhe alma. 

Fez parte da Banda Sonora da novela Por Amor, assim intitulada por diversos motivos relacionados com a trama mas certamente para combinar com este Per Amore


domingo, 20 de agosto de 2017

Os Gregorianos já foram um hit


Não sei se é a Sara Sampaio mas apeteceu-me partilhar


sábado, 19 de agosto de 2017

Novo inquilino escolhido


Sabem aquela pessoa de que queres te despedir mas cada vez que fazes isso ela volta atrás e inicia um novo tema de conversa? Só após passar para aí cinco vezes mais tempo do que aquele que podias imaginar, é que essa despedida que já vai para aí na décima, é eficaz e a pessoa vai?

Pois vai ser esse indivíduo o novo inquilino da casa.


Sinto um pouco de tristeza sobre quem recaiu a preferência da senhoria. Queria tanto uma pessoa que gostasse de meter mãos à obra nas limpezas! Existiu um candidato que me pareceu a pessoa certa. Mas ela é quem escolhe - a pesar de não lhe interessar os conhecer pessoalmente. Escolheu com base na profissão, é previsível. Aquele que lhe parecer a aposta mais segura é aquele que ela geralmente escolhe. 

Foi por isso que me rejeitou, quando cá vim pela primeira vez. Preferiu o candidato «seguro», - o rapaz com referências e com um trabalho fixo numa empresa de renome. Só que este escolhido não cumpriu o prometido e deixou de dar notícias. E foi assim que aqui a portuguesinha - sem eira-nem-beira e com a sua valise de carton conquistou o seu cantinho para morar.


Eu fui a melhor pessoa que ela podia ter tido a sorte de ter como inquilina. Há boa fama de uma Linda de Sousa, excepção feita para as cantorias, a senhoria já percebeu que eu cuido bem da casa e gosto de manter os espaços arrumados e melhorados. 


E esse é o segundo aspecto pelo qual a minha tristeza é ampliada.
Não me pareceu que este novo candidato vá satisfazer nesse requisito. E com os outros dois que me restam a falhar neste campo, sinto que já perdi a batalha. Tenho um motivo forte para essa suspeita. Além dele não ter mostrado grande interesse no tema limpezas, a certa altura da conversa incomodou-me o cheiro que vinha das suas roupas. Um odor a falta de cuidado, de roupa suja e de corpo pouco lavado.

Posso estar a ser precipitada e decerto que se trata de uma avaliação com base na primeira impressão. Mas se estas valem por alguma coisa, foi esta com que fiquei.

Agora só posso desejar que o indivíduo tenha outros atributos que tenham ficado mais ocultos durante este primeiro contacto que levou quase duas horas para terminar. Pois já com o pé na rua, o rapaz ainda voltava atrás para falar mais um pouco. E parte das coisas que diz, eu não entendo. O seu inglês não é perfeito e das outras três línguas que disse falar - alemão, francês e português, não conseguiu juntar uma frase.

Portuguesinha, ruiva e linda (lol)
a antecipar o desespero dos tempos que estão para vir



sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Curiosidades das visualizações do youtube



Há coisa de dois anos deixei de ter listados a maioria dos videos que havia disponibilizado no youtube porque prezo a minha privacidade e segurança. 

Ao decidir deixar comentários noutros vídeos (tudo o que vejo praticamente comento) sabia que ia ficar exposta a ataques e assim decidi me preservar um pouco ao tornar menos visível os vídeos publicados no passado. 

É muito comum outros comentadores irem ao teu perfil para extrair informação pessoal com a qual te possam atacar e amedrontar. É cyber bulling.  

Portanto privatizei a maioria dos vídeos. Em particular os que deixavam adivinhar a minha nacionalidade. Acho que no youtube todos devemos ser cidadãos do mundo e não de um país em particular. A menos que se deseje revelar, penso que é informação privada. 

Não os privatizei totalmente. Permiti a permanência de uma série americana legendada em português, o que de certa forma denuncia a minha nacionalidade. Mas não achei grave. Podia ter legendas portuguesas mas não iam todos adivinhar de onde... 

Além dessa, deixei uma cena de um filme clássico, a abertura de uma antiga série americana que nunca mais tinha passado na nossa TV e que eu preservei em Beta, outra abertura de uma série de Kung-Fu também encontrada numa cassete Beta e um muito popular excerto de um desenho animado brasileiro

Até hoje pensei que o desenho animado brasileiro de apenas uns minutos era o meu "recordista" de visualizações - porque o povo do brasil é biliões de vezes em maior quantidade que o de portugal e a quantidade de comentários recebidos ao longo dos anos sempre foi uma constante.




Por casualidade hoje acedi à conta e vi os vídeos publicados. Fquei surpresa ao ler 50.000 visualizações na cena do filme clássico. Achei muito! 

Para um vídeo com 9 anos talvez não seja mas... ainda assim, fiquei surpresa. Logo a seguir vejo outro de 81 mil. Oh jesus! Então fiquei mais surpresa. Era o da abertura da série antiga americana. A de Kung Fu tem 54 mil e afinal, a de desenhos animados brasileiros apenas 3,1 mil  (apenas... lol). 


Para meu espanto, os olhos recaem sobre a quantidade de visualizações de uma série de desenhos animados niponicos dobrados em português, vídeo esse que tornei privado há dois anos e que foi publicado um ano depois dos restantes. Esse vídeo tornei privado pois haviam muitos que me contactavam procurando saber se dispunha da série na totalidade e querendo por tudo comprar o que tinha... Pois, pensando nisso talvez não fosse de me surpreender. Mas fiquei surpreendida há mesma: 107 mil visualizações!!!

E dizem que a nostalgia é coisa estúpida, ahahah

Venceu o vídeo português de desenhos animados. Liderando com uma considerável distância.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Supermercado onde criança NÃO ENTRA


Vocês achariam bem se alguém estipulasse que supermercados/hipermercados não são lugares para se levarem crianças?

Olhem, eu acabei de constatar que a ideia agrada-me e faz sentido.
E por isso decidi vir aqui fazer o post.

As minhas razões prendem-se com o que vejo: as crianças saltam por todo o lado, não param quietas. Desde que cheguei ao UK irritam-me mais os adultos nos supermercados do que as crianças. Mas aqui todos transportam crianças e bebés de colo por toda a parte. Bloqueando um corredor inteiro sem estranharem.

O UK só tem bad people
O Reino Unido não aprendeu esta regra.
Os supermercados só têm gente que não a conhece!


desisti de frequentar o supermercado que tem os produtos que mais gosto por causa de não conseguir circular direto. As pessoas param no meio dos corredores para falar, mantendo uma certa distância umas das outras, as crianças brincam com os carros, fazem cambalhotas, dançam, saltam soltas à frente do teu carrinho...

Os que usam as cadeiras electrónicas pensam mesmo
que todos têm de se desviar do seu caminho.

Hoje virei para um corredor e como sempre, espreito antes para ver se posso ir à vontade na direcção que tomei. Estavam duas crianças, uma do lado esquerdo outra ao centro a saltitar e uma mulher que presumi ser a mãe, à direita do corredor, parada a olhar produtos e estava mais perto de mim que as crianças. Então decidi avançar com o carrinho de compras pelo espaço entre a pessoa que estava parada, pois as crianças estavam a saltitar. E nesse instante tão rápido em que avanço com o carrinho, a mulher gira no seu eixo e embate no carrinho. Peço-lhe muita desculpa, senti que se magoou com a roda do carro. Quando já a tinha passado ela diz-me que eu devia ter mais cuidado porque estava a olhar para a esquerda. Ao que lhe respondi que ela é que virou subitamente, lamentei que se tivesse magoado mas tinha visto as crianças e não tinha tido alternativa de passagem.


E é assim: aqui as pessoas não têm a mesma noção de educação pedonal que nós temos em Portugal. Mesmo nos passeios, são capazes de mudar de direcção e vir contra ti ao invés de se desviarem para os cantos para permitir a boa circulação dos transeuntes. Nos supermercados onde estão é onde param. Não encostam o carrinho a um canto como nós fazemos. E são capazes de vir três a avançar na tua direcção, uns ao lado dos outros ocupando todo o corredor, sem um ao menos se meter em fila indiana para que o que vem na direcção oposta possa passar.



É um stress e as pessoas ainda mandam bocas se quiseres andar com o teu carrinho a um ritmo normal. Uma mulher disse ao amigo que haviam "corridas" só porque a ultrapassei após estar uns bons segundos a andar passo-a-passo atrás dela. Não creio que seja «correr» tentar andar a um ritmo normal!



E pronto.
Se calhar sou eu que sou uma azelha...
Mas em Portugal isto acontecia-me menos vezes. Vejo pessoas a desviarem-se quando esticas um braço para alcançar um produto. Vejo empregados a sair do meio do caminho... Aqui bem que podes esperar que se desviem. Eles metem-se mais no caminho e deixam os carrinhos com o stock no meio dos corredores. Um horror.

Há saída da caixa, puxava eu o meu carrinho com compras em linha reta pelo percurso desempedido, quando um casal com o seu carrinho parado começa a empurrá-lo horizontalmente para o centro do corredor. Aí tive de dizer: "Cuidado à esquerda!". Porque eles não se apercebem que ali é uma zona de circulação e não devem bloqueá-la!!



quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Koreia do Norte por norte coreanos e trump

Deixo-vos esta pérola.




Tão óbvio.
Uff and puff. 

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Pés e pernas sobre um fundo azul


Já começou.
E já enjoa.

A quantidade de fotos de pés e pernas com unhas pintadas ou por pintar, com pêlos cutâneos ou sem, com ou sem tatuagens já começou a invadir o meu facebook como uma praga enjoativa.

Sim, chegou o meio de Agosto...

Blhac!








segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Calona, muito calona!

Hoje um outro potencial inquilino veio ver o quarto que vai vagar no final do mês.

A «nova inquilina» vai passar a ser a terceira inquilina. 
E ela tem sido uma decepção.

Não faz a ponta de um corno. Só usa a casa como se fosse um hotel.
Não limpa o forno depois de o deixar sujo.
Não varre umas quaisquer migalhas que tenha deixado cair.
Enche os caixotes de lixo com lixo que acumula no quarto. Mas não os despeja.
Não faz a limpeza!

Que raio. Na vez que lhe coube, primeiro «fingiu» não ter dado conta. No mês seguinte lá limpou - mal, mas eu celebrei o gesto. (ver post). Passado outro mês simplesmente escreveu uma data no calendário dando a limpeza como feita - quando não mexeu uma palha!

Depois foi o que já aqui relatei... 

Aspirou e despejou cestos. Mais nada.

Outro mês passou e amanhã é o último dia que tem para limpar no prazo que lhe cabe. Como a seguir é a semana do que está ausente,  ainda lhe dou esse prazo. Mas sinceramente... tudo nela é pouco motivador.

Está fechada no quarto quase o dia todo. Tenta não deixar os outros perceber se está em casa ou não. Ontem nem sei se entrou ou se já cá estava... Só dei por ela quando tossiu. E ao descer as escadas, deparo-me com isto: 


Papelada que o carteiro atirou para dentro de casa. E eu fiquei naquela... será que a terceira ao entrar em casa não viu isto?? 

De madrugada saí eu para o emprego e, cheia de pressa, simplesmente passei por cima dos ditos. Também o fiz por querer perceber se a calona seria capaz do gesto de vergar a coluna para os apanhar. Já que até é a vez dela de limpar a casa e só lhe ficava bem... não é?

Pois quando regressei às 18h, encontrei a imagem acima.
Não tocou num único papel.
Mas decerto teve de sair de casa... ou já não trabalha??
No mínimo teve de descer as escadas para ir à cozinha comer. E ao ver os papéis no chão não foi capaz de apanhar um!!

Se quando cheguei ela já estava em casa ou fora, até agora não sei. Mas julgo que estava dentro, pois ouvi a porta do quarto abrir, ela descer e depois subir as escadas, após escutar uma batida à porta. Se estava fez-se de morta.... como um rato. É muita imaturidade e infantilidade para mim a esta altura do campeonato. Isso e os oreos... Só imaturidade. A míuda do andar de baixo é capaz de ter a mesma idade que a terceira, mas é muito mais mulher, adulta e responsável. Nem tem comparação.

O pior é que não foi capaz de apanhar as cartas do chão mas para recolher uma encomenda do carteiro à porta... foi a voar!

E a sala?  Coloca amiúde o estendal em frente da TV... e faz duas semanas que depositou roupa por toda a sala - inclusive mesa e cadeiras e não há meio de a recolher! Aquilo parece um armazém de entulho.


Estou muito pouco optimista e creio que a minha intuição inicial estava cheia de razão. 
Calona. Indiscutivelmente calona.

Eu jamais escolheria para morar cá uma miúda que não sei porque razão saiu da casa onde estava... Cá para mim saiu escorraçada por outras da sua idade que não suportaram a sua inércia e descaramento. 

domingo, 13 de agosto de 2017

Coisas (só) de HOMEM



Só não usam o berbequim para fazer um furo nas orelhas porque... Enfim. 

Ainda não arranjaram como.




sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Achei as Oreos!


Foram parar ao intestino grosso da «nova inquilina».
Todos os três pacotes.

Sim, foi ela que se «servi das bolachas, sem dar cavaco.
E sempre lá ia quando me via a sair de casa.

Cheguei a duvidar da minha sanidade mental. 
Preferi acreditar que as tinha colocado noutro lugar, ou que haviam caído ao chão do que pensar que foi por acção de alguém que tinham desaparecido. Até ponderei ter em casa um fantasma obcecado por bolachas Oreo.


Quando ontem de tarde dei por falta de um pacote das de chocolate, convenci-me que tinha sido eu que o comi aquando a compra, uma semana antes. Mas horas depois, quando vou para me servir de um produto que guardo na despensa, dou por falta do pacote de Oreos brancas. Oh diabo! Será que me confundi? E elas nunca estiveram ali?? Será que as meti noutro lugar??

Revirei tudo, até fiquei com insónia tal era a confusão que aquilo me fazia.
Pelo sim, pelo não, não fossem elas ter caído ao chão e alguém as ter apanhado, coloquei um bilhete no frigorífico oferecendo uma guloseima que havia comprado e a perguntar se alguém havia visto as minhas oreos. 

E como sou de fotografar tudo, tirei uma foto ao pacote que restou - o de morango, só para provar que não estava a dar em doida.

Na manhã seguinte abro a despensa e olho o frigorífico: o meu recado continua ali, nenhuma mensagem me foi deixada. O pacote Oreos de morango continua lá. Saio novamente de casa por volta do meio-dia e regresso duas horas depois.

Quando vou abrir a despensa para tirar algo, noto que o pacote de Oreos Morango desapareceu.

-"Alguém está a pregar-me uma partida!" - disse eu.
Ao mesmo tempo voltei a pensar se não estava a perder o juízo e não seria o caso de ter retirado o pacote do lugar e não recordar... Estava a ficar preocupada. 

E como havia trocado algumas palavras fazia segundos com a rapariga do andar de baixo, fui bater-lhe à porta. Perguntei-lhe se me estava a pregar uma partida ao me fazer desaparecer os pacotes de Oreos. 

Mostrei-lhe a despensa, garanti-lhe que havia deixado ali um pacote, brinquei que deviamos ter um fantasma que só gosta de Oreos... e mostrei-lhe a fotografia que tirei quando achei que podia estar a dar em doida sem saber... 

Como eu esperava, ela não tocou em nada e até brincou se eu não seria sonâmbula com uma predilecção por Oreos...

A situação estava a fazer-me confusão e eu não gosto de acusar ninguém sem ter certeza. Mas só restava uma opção... E foi a rapariga do andar de baixo que o disse:
-"Pergunta à nova inquilina".
-"É o que vou fazer" - respondi.

Depois de almoçar, subi ao andar de cima e bati na porta do quarto da moça. Ela pareceu hesitante. Em falar e em abrir a porta. Perguntei-lhe pelas Oreos e ela respondeu que foi ela que tirou. Aliviada expliquei-lhe que julguei estar doida, porque podia jurar que as tinha ali mas ao mesmo tempo já estava a duvidar de mim mesma...

Fui muito simpática e não fiz nenhum alarve conflituoso por ela ir propositadamente tirar da despensa que só eu uso um pacote de bolachas não uma, mas duas vezes (pensei eu) e sempre em alturas em que me via fora de casa, sendo que podia tê-lo feito quando eu cá estava e pedir-mas ou contar-me que não resistiu e se serviu das mesmas.

Mas não o fez. Calou-se. Vive fechada no quarto e por vezes eu sei que só sai de lá se eu sair por umas horas de casa. E cada vez que virei as costas, era um pacote que desaparecia. Ela agiu como um rato matreiro, continuou a servir-se despreocupadamente não uma, não duas, mas três vezes. Sem deixar um recado, sem dar cavaco. 

Da forma como tudo se esclareceu, a rapariga do andar de baixo acabou por ser testemunha do ocorrido. Não deu grande importância mas, com ela, acabei por deixá-la entender que achei a atitude da outra um pouco estranha. Mas não desenvolvi. A minha aversão em falar negativamente de alguém por vezes prejudica-me. Já escrever é mais fácil... e por vezes tudo o que não é falado é escrito em dose massiva.

Adiante: no fundo não fiquei aborrecida. Mas ao mesmo tempo tem um outro lado meu que me alerta... para ter cuidado. Porque quem hoje espera que te ausentes para ir se servir de algo teu... amanhã pode fazer o mesmo, só que não se vai tratar de Oreos...

Ela acabou por admitir que as tirou mas só porque eu a confrontei com o desaparecimento das mesmas. Devia ter sido ela a ter a iniciativa, principalmente depois de escutar a conversa que tive com a outra, a aproximar-se e a dizer que se havia servido das bolachas. Mas não o fez. E ia continuar sem o fazer, mantendo-se fechada no quarto com as minhas embalagens vazias lá dentro, enquanto eu as procurava freneticamente cá fora, achando que podia estar mal da cabeça. 

Para suavizar a sua atitude, respondeu-me que pretendia repor as bolachas sem que eu desse conta... Mas se o pretendia, levou o seu tempo. Principalmente depois de ver o meu recado, logo pela manhã. Não foi o suficiente para a motivar a fazer a reposição. Ao contrário: foi servir-se do último pacote!!

No final da tarde, ela desceu as escadas sem dizer "olá" a nós as duas, que estavamos ali mesmo a conversar, e saiu. Menos de 20 minutos depois entrou novamente em casa. Quando eu desci e entrei na cozinha, tinha três pacotes de òreos deixados em cima da bancada. Com um bilhete onde ela desenhou um smile...

Soube tirá-los debaixo dos paezinhos e servir-se um a um... e não soube arrumá-los no sítio?
Bom, mas isso é o de menos...

Eu já havia decidido que só queria solucionar o mistério, não fazia questão que ela me devolvesse as bolachas. Comeu-as. Pronto. Não precisava de as repor. Eu ofereço-lhas. Nem são as minhas favoritas. Comprei-as porque estavam em promoção e pretendia triturá-las e misturar a um gelado. 

O meu espanto contudo, não havia terminado. Pois como expliquei, convenci-me que havia comido o pacote das de chocolate - o primeiro que dei pela falta. Mas ao ver em cima da bancada três pacotes, percebi que não tinha sido eu a comer essas bolachas, mas ela!

Que ousadia!
Ou que descaramento.


quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Alguém viu as minhas Oreos?


Hoje quando cheguei do supermercado fui colocar os pacotes de sementes de sésamo e os pãezinhos junto com os das bolachas oreo. Quando para meu espanto, ao invés de lá estarem três embalagens - que foi a quantidade que comprei a semana passada no dia de folga - estavam só DUAS. As de morango e as normais. As de recheio com chocolate tinham desaparecido.


Fiz um esforço enorme para me lembrar se tinha aberto o pacote para as comer no próprio dia em que as comprei. E convenci-me que foi isso mesmo que aconteceu. 

Entretanto subo para o quarto com mais dois pacotes de bolachas que tinha comprado hoje. Servem para serem «devoraradas» aquando aquelas crises de apetite noturnas ou matinais (em que não nos apetece ir à cozinha). E dá sempre jeito ter umas já na mochila, que é para quando estou no emprego não me faltar o que comer quando faço uma pausa.


Meti-as na mochila e quando cheguei ao quarto, tirei-as da mochila. 
Depois ligo o computador, retiro umas imagens que fotografei do dia de chuva de hoje (que era para ser o post de agora mas vai ser adiado) e adormeço. Adormeço do imenso cansaço que tenho acumulado do trabalho.

Acordei já passava das 20h. Quando desci à cozinha e abri a despensa onde só eu guardo mantimentos (o resto é tachos do rapaz que cá não está e tralhas diversas), para alcançar os pãezinhos, quando reparo que debaixo destes não estão as óreo normais.



Fico aparvalhada. Como que a duvidar de mim mesma. A duvidar do que os meus olhos viram e a minha percepção sabe. Fazia instantes elas estavam ali. Tinha a certeza! Poderia EU tê-las agarrado junto com os outros pacotes e trazido-as cá para cima? Podia jurar que não... Mas se calhar, talvez, mesmo não as querendo e tendo-as comprado para levar para uma viagem que vou fazer daqui a um mês, talvez tenha agarrado nelas. Talvez até tenham caído no chão. Ou talvez as tenha deixado fora da despensa. Mesmo que as embalagens tenham sido colocadas de lado, atrás de uns fransquinhos de compota e por baixo dos pãezinhos de sésamo. Talvez... tenham rebolado e caído? Até isso levei em consideração, mesmo que todos os 12 frascos de compota que impediam que tal acontecesse continuassem ali.


Eu quis acreditar que EU tinha sido a responsável pelo desaparecimento do pacote de bolachas. Porque caso contrário, alguém cá em casa achou-se no direito de se «servir» de algo alheio. 

E isso é muito mau.


Costumo partilhar coisas que tenho mas que não vou usar ou estão quase a expirar, deixando-as em locais onde todos podem ver e com um bilhetinho a os convidar a se servirem. Foi assim com o bolo-de-rei que recebi no Natal, embora ninguém o tivesse provado.

Foi assim com os donuts que comprei em demasia, com as baguetes de pão que comprei em embalagem de três, foi assim com o ketchup e maionese que quase nunca uso... Coloquei à disposição, com um bilhete.

Agora se alguém se sentiu no direito de usar o que não coloquei à disposição, indo propositamente abrir uma porta que dá acesso a uma despensa onde não existe nada que outros sem ser eu possa desejar... Isso incomoda-me.

E estou abismada e a tentar me convencer que estou errada até agora.
Porque não quero acreditar.
Não quero.

Não é pelo pacote de bolachas que estava guardado para não ser consumido. É pelo significado do gesto.


Para ser honesta, tudo começou há dois dias, quando reparei que alguém havia tirado UMA LIBRA do pequeno prato onde ficam uns trocos do dinheiro que costumavamos colocar de lado para as compras em comum da casa. Existiam seis libras e uns trocos, passaram a cinco.


Aquilo intrigou-me um pouco, porque antes disso percebi que alguém havia tirado o prato de cima do micro-ondas e o colocado na bancada. Sem nenhum motivo ou necessidade. Quase que tive para o voltar a meter no lugar, mas abstive-me de lhe tocar, não fosse a pessoa que o movimentou achar nisso algo estranho. Então o prato ficou ali um dia até que no outro, voltou misteriosamente ao lugar. Mas nem sequer olhei para a quantidade de moedas lá deixadas.


Foi só por casualidade na noite seguinte, que pelo brilho da luz do teto nas mesmas reparei no número ímpar de moedas. Via sempre pares e agora estava ali algo estranho... eram ímpares. Foi então que dei conta. Mas mais uma vez, tentei convencer-me que estava errada e que nunca haviam ali estado seis libras nos últimos quatro ou cinco meses. Talvez tenha me enganado


Ao mesmo tempo fiquei indignada porque só três pessoas estão a viver cá em casa. Eu não toquei nas moedas. Tenho total confiança na rapariga do andar de baixo, pois também ela nunca mexeu no dinheiro e foi sempre das primeiras a meter qualquer quantia ali, sem dar grande importância em pagar algo do próprio bolso. 


Resta-me apenas uma suspeita... 
Que encaixa no perfil.



Mas não quero acreditar.

Porque de todas as pessoas na casa que podem tirar aquelas moedas dali e fazer o que quiserem com elas, a única que moralmente não o pode fazer é a «nova inquilina». Porque não contribuiu com nenhum cêntimo ali. Quando ela chegou - já faz talvez três meses - já não estávamos a dar continuidade à «tradição» de meter os trocos de lado para a compra de detergentes e afins. O papel higiénico passou a ser «cada um traz o seu» ao invés de ser partilhado. E daí os trocos não precisaram ser usados, pois pequenas coisas como sacos de plástico para o lixo, cada um compra quando disso fosse necessário. 

Então as moedas acabaram por ficar ali, tal como outros cêntimos estão «abandonados» sabe-se lá por quem na sala. Já lá estavam quando eu cheguei, por isso não lhes toquei. E se calhar ninguém toca porque quem os deixou ali não mora mais cá.

Seja como for...

Onde estão as minhas óreos?
Estou desejosa de ser a responsável pelo seu desaparecimento! Mas já vasculhei tudo. Abri a mochila cinco vezes, apalpei tudo. Desviei o edredon da cama, levantei-o, olhei debaixo do colchão, olhei de lado, olhei debaixo da cómoda, dentro de sacos, debaixo da roupa deixada no caldeirão... 


Como que, por magia ou acção fatasmagórica, o pacote de óreos fosse desaparecer da despensa para aparecer aqui. É que ainda por cima lembrei-me que meti o pacote de pãezinhos em cima das óreos. Por isso, para terem desaparecido, se não fui eu, foi alguém intencionalmente. Pois sabia onde o encontrar e teve de levantar os pãezinhos para alcançar o pacote, sem derrubar nenhum dos 12 frasquinhos de compota. 

Ainda estou pasma!
Ainda estou a procurar aqui no quarto, enquanto escrevo isto...

Em todo o caso, decidi colocar à disposição dos moradores da casa mais uma guloseima que comprei mas que não apreciei por aí além. Aproveitei o meu ato corriqueiro para, no bilhete que escrevi, deixar uma nota onde pergunto: "Alguém viu as minhas óreos"? 

Espero sinceramente que alguém aproveite a oportunidade que lhes estou a dar. 
Porque não estou doida... 
Mas se coisas assim continuarem a acontecer, vou ficar.
E vou deixar de achar esta casa segura.
Os quartos não têm fechadura - excepção para o quarto do "lord", que está de férias e certamente o deixou trancado à chave.

Qualquer porta aqui de casa abre-se se alguém girar a maçaneta. E isso deixa-me insegura caso se comprove que alguém anda a fazer «pequenos furtos». Tenho o quarto cheio de moedas. De início preocupei-me em deixá-las soltas mas com o tempo despreocupei-me e deixo-as em cima da cómoda e na beira do estrado da cama. Como as coleciono, até comprei um album para as colocar. Sò que este não serve para todas e vou comprar mais. Entretanto deixo-as soltas, num quarto destrancado, junto com todos os meus pertences e, ocasionalmente, passaporte. 

Mas acho que vou continuar a ser rigorosa com a minha documentação e esta vai ter de andar comigo sempre. Podem roubar-me dinheiro, roupa, malas e computadores. Mas documentos não.


A rapariga do andar de baixo está de saída. O que lamento, pois era em quem mais confiava e a mais descomplicada das criaturas. Resta-me uma rapariga que ainda não ganhou a minha confiança e que, agora, está em risco de não a obter e o rapaz que, quando chegar, vai regressar a colocação de «defeitos» nas coisas feitas pelos outros.

A rapariga que ainda não ganhou totalmente a minha confiança passa muito tempo em casa. Escutei-a à semanas a dizer a alguém ao telefone que não tinha dinheiro para sair, não ganhava o suficiente e que não estava satisfeita com o tipo de trabalho que tem, embora adorasse as pessoas. Confessou que abusou nas noitadas, que ficava bêbada em todas as saídas e que, nisso, gastava todo o seu dinheiro. Entre outros desabafos de fracassos amorosos, escutei isto porque dá para ouvir conversas de quarto para quarto - a voz tem essa capacidade. Depois ela desceu para o andar de baixo e deixei de escutar seja o que fosse. Isto aconteceu dias depois de eu estranhar o fato dela estar tantas vezes em casa e após ter descoberto as beatas no jardim e tê-la «apanhado» a tentar fingir que limpou a casa quando de facto não o fez.

Ou seja: isto aconteceu há quase um mês! Porque a vez de ser ela a limpar já chegou novamente...
E vou aguardar, para ver como a preguiçosa vai decidir agir. Se como uma adulta responsável ou como uma adolescente inconsequente. 

A «nova inquilina» vai perder o posto para o/a próximo que vier. E eu só espero que essa pessoa seja alguém decente e que cumpra três requisitos essenciais: Entre logo com dinheiro para a conta da luz e gás, limpe bem a casa quando chegar a sua vez e seja silencioso durante todo o dia.