segunda-feira, 24 de julho de 2017

Nem a propósito - mochila abandonada


Hoje encontrava-me no emprego quando ponderei se devia ou não fazer este post.
Ao chegar a casa e ao deparar-me com esta notícia, decidi que sim.

A notícia refere-se a um fato que ainda estava a decorrer no momento em que a li - pelo que supus. Foi encontrada uma mochila abandonada no Terreiro do Paço, em Lisboa. Uma equipa de Minas e Armadilhas foi chamada ao local. E um perímetro foi criado em torno da estátua equestre que se encontra no centro da praça. 

Imagem da intervenção policial
Ora, devo dizer a este respeito que fico muito contente por ver que nós, em Portugal, levamos este assunto a sério, sem no entanto, fazer disso um alarido de sete cabeças. Quantos de nós, ao ver um saco abandonado, simplesmente não ignora ou decide investigar para ver o que é, caso seja algo importante, para devolver a quem possa estar à procura?

Pois. Mas não deviamos. Porque, em caso de acção criminosa, algo terrível pode acontecer. Geralmente, o resultado é a nossa morte. 

Hoje no emprego, alguém também esqueceu de levar uma mochila. Esta tinha desenhos infantis - dava ares de ser de adolescente, mas por isso mesmo é preciso extra cuidado. Porque tudo o que é bandido tem um sentido de humor cruel. Bom, mas detalhe dos bonecos à parte, foi-me dito para vigiar a mochila - sem contudo lhe colocar as mãos. Chamou-se a segurança, reservou-se o local para que ninguém se aproximasse. E depois surgiu o segurança que, sem tocar na mochila lhe apontou uma luz azul em tudo o que era direcção. Talvez para se certificar da ausência de aparelhos electrónicos ou explosivos. 

O resto do procedimento já não assisti. Afastei-me, just in case Ahahahha (mentira, aproveitei para ir aos lavabos).

O que quero vos passar com isto é que aqui no UK - país muito alvo de atentados, a postura que eles têm é já esta de ter o máximo de cuidado com tudo o que é esquecido para trás... Tudo é potencialmente explosivo. 

Ao mesmo tempo que isso reconforta por transmitir maior segurança, também entristece, por reforçar e deixar tão claro que a nossa liberdade está mais frágil e os medos são outros. 

Eu prefiro o modo português - vês um saco, espreitas o que tem dentro, ao inglês - «não lhe toques porque pode ser um explosivo!». 

Mas a vida está a mudar...
Times are changing...






sexta-feira, 21 de julho de 2017

Alívio e felicidade


... Por a «nova» inquilina ter ido buscar o aspirador e ter limpo a casa!
Disse-me a rapariga do andar de baixo que a outra pediu desculpa. Justificou que pretendia limpar a casa na data que colocou no calendário... Mas não o fez, nem nesse dia, nem nos dois dias seguintes.

Só digo uma coisa: chegar do trabalho, abrir a porta de casa e ter percebido de imediato que o chão foi aspirado foi uma sensação muito agradável, que me deixou feliz. Gostei de regressar para um espaço cuidado, ao invés de um imundo. Não há necessidade disso e como tal o meu coração encheu-se de alegria. Não sei porquê, mas hoje intuí que o dia ia ser positivo e ia passar sem percalços. Assim foi, a pesar de ter tudo para não ser.

Claro que reparei de imediato que a limpeza foi muito limitada. Foi mais para «inglês ver». Mas não me importei! Um chão aspirado, pelo menos, já me deixa contente. Ela só aspirou a casa (WC, corredor, cozinha) e passou um pano nas bancadas da cozinha.

O que ela não fez? Não lavou o chão, nem dos WCs nem da cozinha. pois as manchas coloridas ainda permaneciam no linóleo, o balde e esfregona permaneciam na mesma posição invulgar com os mesmos detritos no interior, assim como alguns detritos de terra e cales de frutos vindos da porta que dá acesso ao quintal estão no fundo do corredor do chão da cozinha. Sinal de que ela saiu lá para fora e trouxe os detritos com ela. No quintal, o pote de vidro com beatas desapareceu, só ficaram duas no chão. Mas nem me importei. Nadinha. Também despejou os cestos dos WC e da cozinha, mas tirando isso, não lavou o lavabo, que ainda tinha o mesmo cabelo de uns dias atrás no mesmo sítio e estava cheio de pequenas florzinhas trazidas pelo vento. A banheira também não foi limpa, pois o tom rosado misterioso que aparece no cromado ainda lá está. No fundo, limpar, limpar... aspirou. 


Mas não me importa nada!!

E ainda bem que anotei dois pontos de interrogação no lugar onde ela anotou que havia feito a limpeza. Porque se não o tivesse feito, talvez ela tentasse escapar com uma limpeza... virtual.



E eu que já me preparava parar fazer uma também! 



Ao lado dos pontos de interrogação desenhei uma cara sorridente. E espero que daqui a diante tudo entre nos eixos sem quaisquer aberturas para confusões. :) 

Ai que bom quando não nos complicam a vida quando não há necessidade para tal. Basta cumprir pequenos gestos que não custam tanto assim... e todos convivem em harmonia e confraternização. A vida já se complica por ela mesma - outros ajudam - porque havemos nós de facilitar?



quinta-feira, 20 de julho de 2017

Coisas que me causam impressão - 02


A limpeza VIRTUAL da «nova» inquilina.
Ainda me faz espécie.


Faz dois dias que estou de folga e ela, pelo que percebi, também está. 
Fica enfiada no quarto o tempo todo, só saindo da toca para meter os «corninhos» ao sol quando me sabe mais ocupada ou ausente.


Hoje saí de casa por volta da hora de almoço mais por a saber dentro do quarto e provavelmente a desejar sair sem encontrar ninguém. Por imaginar que gostaria de ter uns momentos para si... saí, para que, se desejasse, fosse almoçar tranquilamente à cozinha. Então almocei primeiro e saí de seguida.

Faço isso amiúde, sou assim. 


Saí e fui ver a grande «superfície comercial» da zona... Um local sem quaisquer atrativos, no máximo mantinha 10 lojas das quais quase todas também existem no centro da cidade. Foi aqui que voltei a ver o «futuro» do consumismo. E é este:


Uma loja onde estão sempre a dizer-me para ir toda a vez que penso em comprar um qualquer electrodoméstico dizem: Vai à Argus!

Só que a argus é um espaço físico para compras virtuais. O que as lojas Argus têm são catálogos. Vejam só a grossura dos mesmos nas fotos em baixo!! E com fotografias muito pequeninas dos artigos, sem grandes descrições.

Ora, se eu quisesse uma loja virtual, não me deslocava fisicamente a uma. Ficava em casa, sossegadinha, em frente ao meu computador, que ia dar no mesmo. Melhor ainda: ia encontrar outros sites a vender o mesmo produto, mas com valores mais baixos.

Tirei estas fotos para mostrar a tristeza do que nos espera no futuro do consumismo. Esta «loja» de fato tem de TUDO. São infinitos os artigos - desde sofás, a telemóveis, a... joalharia. Mas na foto de cima podem ver que existe um balcão, com três empregados. Então temos uma mega-estrutura que disponibiliza infinitos equipamentos e emprega um número reduzido de pessoas.

O cliente chega e é logo confrontado, ao centro da loja, com três ou mais «caixas multibanco» que permitem o pagamento imediato. Ao lado estão as mesas com os computadores onde o cliente antes de pagar, pode achar o que quer e a facilidade do pagamento é imediato e sem intervenção humana com um vendedor.

Faz-me impressão onde recai a escolha para o uso do VIRTUAL.


Nos filmes futuristas, o virtual é usado para o «bem», para criar cenários virtuais de natureza e deslumbrar o humano. Ou para lhe criar uma companhia com quem pode interagir e dialogar. Não me parece que seja essa a utilização real que o mundo virtual vai trazer para o real. 

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Coisas que me causam impressão - 01


Cada vez que estou a lavar as mãos num WC público e vejo pelo espelho pessoas a entrarem umas atrás das outras diretas para os cubículos, por vezes murmuro: «porcas».

O que é que me causa impressão? - Não lavarem as mãos ANTES de tocarem e usufruirem das instalações sanitárias!!


Isto irrita-me.
As pessoas julgam-se limpas mas são porcas.
Trabalho num local movimentado e nunca que vi alguém entrar no WC e lavar as mãos antes de usar a sanita.

De que adianta lavar as mãos à saída?
Por acaso sujaram-nas com mijo?
Usaram-nas para se limparem atrás??


Entram com as mãos sujas, tocam numa porta e numa maçaneta de WC com essas mãos, puxam o rolo de papel higiénico com essas mãos já cheias de micróbios e depois, com esse papel contaminado, limpam-se nas partes íntimas.

A seguir, lavam as mãos...

Para quê??
Já espalharam os micróbios onde não deviam!




PS: Isto ainda vai ser um blogue à parte. Aguardem. Ass. Groselha

terça-feira, 18 de julho de 2017

Limpeza Virtual


Ontem, dia 17, notei que a nova inquilina tinha marcado no calendário a data em que fez a limpeza à casa: dia 18 de Julho. Sim, dia 17 ela anotou como realizada, a limpeza. Mas feita numa data futura. Ora eu, intrigada, na brincadeira coloquei um ponto de interrogação ao lado. 

Será que ela decidiu indicar que ia fazer a limpeza no dia seguinte? - pensei eu, quiçá ingenuamente. 

Depois comecei a pensar e a chegar à conclusão de que, se calhar, ela teve a audácia de dar a casa como limpa, sem ter mexido um dedo nesse sentido!! 

Sim, porque assim que entrei pela porta, antes mesmo de ter dado com a nota no calendário, o que os meus olhos notaram foi a sujidade na carpete. Pequenos pontos negros por toda a parte - que até pareciam ter aumentado em numero.



Desiludida, verifiquei que as bancadas da cozinha estavam cheias de migalhas e marcas, o chão sujo, o fogão também sujo de restos de cozinhados. Nenhum cesto de lixo da casa-de-banho foi despejado e a banheira voltou a ter aquele tom rosado no cromado. Nem se via limpeza, nem cheirava a limpeza. Então, como podia ela ter anotado, com a caneta que mal escreve, que tinha LIMPO A CASA???


É o quê? Uma limpeza virtual??


A única coisa que notei foi que os caixotes da cozinha, para o lixo doméstico e o da reciclagem, tinham sido esvaziados. Mas dali a minutos chegou a casa a outra colega (a do andar de baixo) e, sem meter conversa a respeito do assunto que me estava a perturbar, é ela que me diz que despejou os sacos de lixo. Na véspera bem a vi a colocar os contentores lá fora, à entrada da porta, de forma a poderem ser coletados pelos homens do lixo. 

Então que conclusão pode-se tirar? A outra não fez nada!!
Mas teve a ousadia de anotar que tinha feito, tsc, tsc, tsc-

A única coisa que reparei que foi ela que fez foi o aproveitar que o cesto do lixo doméstico tinha sido esvaziado para lá colocar um saco preto cheio de lixo que trouxe do quarto dela. Um pequeno rasgão no frágil confirmou a suspeita. 

Outra coisa que notei que ela fez em termos de limpeza foi lavar a roupa dela e estender pelo quintal. Que, já é um quintal com ar abandonado e pouco convidativo a ficar. Por isso é que, na véspera, estive a arrancar ervas, a cortar ramos a ensacar os desperdícios e a tornar o jardim mais apetecível. Se eu soubesse que no dia a seguir o meu esforço ia servir para ela lá ir sentar-se numa cadeira para fumar - tendo já uma quantidade considerável de beatas enfiadas num frasco de vidro - talvez pensasse duas vezes antes de ter tomado a iniciativa.



Afinal, ninguém nunca lá põe os pés...  Até o momento em que fica mais composto lol. Porque o andei a arranjar. Mas irem lá limpar, isso é que não... 

A única coisa com que ela contribui na casa e no jardim é no transporte de terra e sujidade de fora para dentro de casa. Nesse dia notou-se no chão um aumento considerável de porcaria, proveniente do quintal e isso só é possível se uma pessoa entrar e sair sem prestar muita atenção ao que traz agarrado à sola dos sapatos.



O próximo a limpar devia ser o rapaz - mas ele ausentou-se de férias. Logo a seguir, sou eu. Estou a pensar seguir o exemplo da «nova» inquilina e também fazer uma limpeza virtual. O problema é que, até lá - daqui a 2 semanas, a porcaria que esta casa vai ganhar deve meter medo ao susto.

E depois quem vai ter de limpar de verdade é a que se segue - a rapariga de baixo. Com quem me dou muito bem e com quem converso lindamente. Infelizmente ela contou-me há umas semanas, que vai embora. Não só da casa, mas do país. Continua a trabalhar no mesmo mas pediu transferência para a sua terra natal, onde vai alugar uma casa e morar sozinha. 

Ontem ela avisou a senhoria que vai sair, dando assim o tempo necessário e exigido no contrato para se encontrar um NOVO inquilino.

Sinto um tanto de tristeza por perder uma pessoa que considero de valor - despreocupada mas cumpridora sem grandes conflitos dos seus deveres na limpeza. Capaz de pagar do próprio bolso algum produto que todos precisem (meteu lâmpadas na casa quando estas fundiram, comprou, assim como eu, papel higiénico várias vezes, depois deste acabar e é quase sempre a primeira a meter o dinheiro para as contas). E simpática. Sem manias.

Por outro lado, sei que ela vai estar melhor e isso deixa-me feliz por ela.

Noutro dia ouvi a «nova» inquilina a entrar acompanhada de um colega ao qual mostrou a casa, dizendo que era muito boa. Mostrou-lhe o quarto (o tal que aqui chamam de box - caixote) e disse-lhe que era muito bom, bem melhor que o dele. Concordo (mesmo sem conhecer o «dele») porque quando eu vi aquele quarto vazio gostei muito dele - mais do que do meu. Imaginei-me contente e mais produtiva naquele espaço pequeno do que no meu amplo quarto. Mas eu tento ser minimalista e ela chegou com tanto saco... que até hoje estão no chão, ao invés de terem encontrado um armário ou prateleira para estar. 


Ocorreu-me que ela talvez já soubesse que a outra ia desocupar o quarto e já estivesse a estudar a possibilidade de meter um amigo cá dentro. Não sou a favor de amigos a dividir uma casa partilhada com desconhecidos, porque quase sempre os dois acham-se mais «donos» do espaço e geralmente unem-se numa qualquer questão divergente. 

Pormenor da esquina do barracão com
a cerca do quintal. 

O que esta casa tem de bom não é o espaço, não é a temperatura, não é a qualidade - pois está quase a cair de podre e parece nunca ter sofrido obras de restauração. O que ela tem de bom é a localização e em segundo lugar, a tranquilidade. Se uma razão é puramente geográfica, a segunda deve-se ao tipo de pessoas que cá moram. Ou ao tipo de pessoa que predomina e estabeleceu «as regras» que outros apanham ao chegar. E esse segundo fator pode mudar sem mais nem menos. O que seria muito mau. As pessoas que cá estão a morar não fazem barulho algum. Falam-se, cumprimentam-se mas é cada qual para o seu lado, sem barulhos, sem música alta, sem conversas ao telefone aos gritos, sem muito alarido.



E isso, posso bem dizer, é muito, mas muito bom.

Qualquer pessoa que venha a seguir, é bom que goste do mesmo. E goste de limpar a casa - mas de verdade!! 



domingo, 16 de julho de 2017

Indecisão DECIDIDA


Faz semanas que o meu espírito sente-se atormentado. Tenho de tomar uma decisão. 



Estou a tentar decidir de vez se fico ou me despeço do emprego. 
No título escrevi "Indecisão decidida" porque no fundo sei o que queria. 
Mas não sei se é uma decisão que deva tomar já, nos parâmetros em que me encontro.

Tenho receio de escolher a opção errada e depois ter de lidar com as amargas consequências.

E de amargura, principalmente deste género, já eu tive dose para matar leões.


Só há UM MOTIVO para querer ir embora dali: aquela pessoa. 

O tal indivíduo que me faz bulling. É simplesmente impossível trabalhar com ele. Ninguém gosta, muitos se queixam... e nada acontece. Só que eu não gosto mesmo, mesmo. Sei que sem a sua presença seja qual for o contratempo que possa surgir, sempre posso chegar ao final do dia de trabalho feliz, a sentir contentamento e satisfação. Mas com a presença dele sei que ocorre o oposto. Cada minuto, cada segundo, é de tormento. Porque ele faz questão disso. 

Então a minha indecisão é esta. Devo demitir-me sem ter nada à vista e esperar que surja outra coisa - porque pode surgir - e depois sujeitar-me a essa coisa, a gostar ou não gostar, a encontrar outro sacana por outras bandas, a ganhar menos dinheiro...

Só tenho aguentado até agora porque as vezes que tenho trabalhado diretamente sobre as ordens desta pessoa têm sido diminutas. E mesmo dessas vezes, é muito desagradável. Mas talvez aguentasse, se soubesse que não teria de o suportar dias e semanas inteiras. Só que agora essa eventualidade parece-me que está garantida. Mudaram os horários e na próxima semana (a começar a meio desta) vou estar todos os meus 5 dias a trabalhar com ele como supervisor!! 

Mais de 9h por dia. Quando por vezes ele não espera nem um fôlego de segundo para começar a implicar e a irritar. Está sempre a meter defeitos no trabalho alheio, a querer mostrar-se um grande administrador, a tratar os empregados como se fosse o presidente da Coreia do Norte. Enfim, não gosto do indivíduo, não gosto da voz rachada que tem, dos berros de feirante que dá, das asneiras que sempre diz, do mau inglês soupinha-de-massa que pronuncia. 


Tudo isso é um tormento para o meu espírito pacífico e sinceramente, coma idade que tenho, ouso sentir que tenho direito a querer estar em paz no meu local de trabalho. É uma espécie de regalia que procuro aqui.

Sei o que gostava de fazer: gostava de mudar para outro emprego.
Mas não tenho nenhum em vista. Nem encontro nada diferente, ou dentro do mesmo género, que seja para melhor - em termos de trabalho e de remuneração. 

Gostava de mudar sim, mas para um mais interessante e melhor remunerado. 
Mudar sem rumo, arriscando...

Será? Este foi um risco. Tudo é um risco.
Mas quantos riscos posso eu tomar?
Tenho casa para pagar, vivo num outro país...
Dar-me ao "luxo" de me desempregar... Ainda que consiga outro emprego... 

Estou tão bem onde me encontro. Sei o trabalho quase todo de cor, mas ao mesmo tempo ainda estou a aprender. O que é maravilhoso. Sinto-me BEM naquele ambiente. Mas isso só é possível na ausência do crápula. E o que é pior é que estou a tentar trocar de turno com outra pessoa. Mas nunca ninguém aceita trocar comigo. Basta verem o nome dele ali... e ninguém aceita.


sexta-feira, 14 de julho de 2017

O pior filme de sempre


Mesmo para quem ama gatos, é fanático por gatos, respira gatos, vive para gatos e adora gatos. Já falei de gatos? Pois então aqui fica um filme sobre gatos. Adoráveis criaturas...


O que me tem assustado


E trazido alguns blues nestes dias é isto:






Verão!
Ainda nem chegaste, como podes já dar sinais de que queres ir embora??
Os dias também estão mais curtos...
Oh, vida...

O Outono é a estação que se segue 

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Mas isto é o típico, não é?


Sou racista


O título que escolhi é o termo simplório e redutor para uma característica que no fundo espelha cultura. Nada tem a ver com racismo. Mas como hoje em dia coloca-se logo esse rótulo fácil e reconhecível cada vez que se mencionam etnias, deixei ficar assim, como ironia e para que talvez se entenda de vez as diferenças. 

No emprego atendo pessoas de todo o tipo e originárias de todos os países. E por isso posso dizer que sim, é verdade, pessoas de certas etnias exibem comportamentos comuns. Isso tem mais a ver com a cultura social, a educação do povo - do que com a raça. Mas é típico da raça, porque essa raça teve aquela cultura - não por uma cor de pele específica. 

Cheguei a esta conclusão sobre pessoas de etnia negra: levam uma eternidade a decidir o que pretendem!!

Hoje foi o dia...

Mas nem podem imaginar... Tem dias é que é um atrás do outro...
Alguns colegas já sabem disso e tentam «esquivar-se» ao atendimento de pessoas que vão «empatar» o serviço. Já eu, sempre tenho esperança que será desta... E depois não é.

Vou dar exemplos: 
1- Estão umas pessoas no bar, à espera de atendimento, com ar impaciente, perscrutando com o olhar quem está disponível para os atender. «Cheios de pressa» - como sempre. 

Vou direta a um indivíduo que já ali está e que claramente fica agradado quando percebe que é a sua vez de ser atendido. Pergunto-lhe o que quer e este, que até ali estava cheio de pressa e a primeira coisa que quer saber é quanto tempo vai demorar a comida a chegar à mesa, fica a olhar para o menu... indeciso se quer isto ou aquilo, ou talvez aquele outro... Não consegue decidir-se sobre o que vai beber... Decide que quer sumo, mas não sabe qual... digo-lhe os sabores disponíveis não consegue decidir.... e quando decide, depois muda de ideias. Irra! 

Enquanto o atendi, os meus colegas atenderam cada um três clientes.

Nós temos que ser rápidos no atendimento - dizem que o ideal é passar 2 minutos com cada cliente - e estes de que falo consomem 10. Dez minutos que me fazem perder com as suas demoradas indecisões - muitas vezes por procurarem os preços mais baixos possíveis, do que nos gostos e vontades. Contudo, estão cheios de pressa. Cheios de pressa até chegar a sua vez. Aí demoram 10 minutos a decidir o que querem. Assim que se resolvem, a pressa volta-lhes. 

E exemplo disso foi umas senhoras que atendi logo cedo - quando o bar está por minha conta. Como é comum, entram muitos clientes ao mesmo tempo e todos vão ao bar ao mesmo tempo. Todos querem comer e beber... Os primeiros a chegar foram dois rapazes, que queriam duas refeições e dois cafés. Foram rápidos a pedir. Mas tive de os mandar aguardar pelas bebidas, pois é mais rápido tomar os pedidos primeiro e lidar com as bebidas depois. A seguir aos rapazes surgiram três senhoras, também elas a querer comer e beber cafés lattes e cappucinos. Mais uma vez, informei-as que aguardassem um pouco que lhes ia dar as bebidas na zona do bar específica para esse fim. Logo atrás deste trio surgem duas senhoras, de etnia negra e ainda um jovem casal, que só queria bebidas.

Despacho as bebidas dos rapazes em três segundos, começo a fazer as bebidas do trio de senhoras e já estou a terminar de fazer a do duo, quando uma delas aproxima-se do bar e diz em voz alta, para aquela que acabou de chegar ali para apanhar a bebida (a mais demorada de se fazer, pois leva chantilly e marshmellows): "a tua refeição está a esfriar" , "se a bebida demorar tens a comida fria". 

Tive quase para lhe responder que a comida tinha acabado de ser deixada na mesa graças a mim, que as atendi rápido ao invés de as fazer esperar como manda o protocolo e que o prato não ia esfriar num segundo. 

Outro exemplo:  

2- Grupos. Famílias. Entram, sentem-se e dois vêm ao bar pedir. Até nisto são lerdos, porque primeiro vêm direito ao bar cheio de pressa para serem atendidos, depois uns vão sentar-se enquanto uns tantos ficam pelo bar só para «reservar» e não perder a vez no atendimento. Mas assim que este começa, não sabem o que querem. E ficam à espera que a pessoa que ainda não está no bar chegue para pedir. Surge um certo vai e vem, até que, finalmente, estão ambos no bar para se entenderem entrei si e fazer o pedido. Para começar, seja em grupo ou individual, é muito comum nunca quererem o prato servido tal e qual como está no menu. Sempre pretendem mudar alguma coisa. 

Tudo bem... até gosto de personalizar as refeições, mas a forma típica como estas pessoas o fazem é exasperante. Para começar, tenho de lhes explicar em que consiste cada prato dos dois principais. São exatamente iguais, só mudam as porpoções (e o preço). Mas este fato tem de ser explicado ao menos três vezes, até que o cliente exiba sinais que entendeu. É então que estão preparados para comunicar o que escolhem comer. E nisto demoram uma eternidade. Depois, falam ao mesmo tempo. Ainda por cima, um diz ao outro o que o outro quer, é corrigido, depois auto-corrige-se... Quero batatas... - diz uma. Ao que a outra responde: Não queres nada! Tu não gostas de batatas. Não lhe dê batatas - diz-me. Ao que a outra responde: Não quero batatas. Sim, quero batatas. Ao que eu tenho de perguntar, para ter a certeza: Então, quer a batata?

E ao ouvir a confirmação de que a amiga quer uma batata, a outra decide que também quer: também quero uma batata -decide.

Quando lhes faço uma pergunta específica: querem o quê ao invés disso? Estão tão entrelaçados nas indecisões se querem ou não querem uma batata, que nem me respondem. Continuam a fazer o pedido na ordem confusa e misturada que lhes surge na cabeça e eu tenho de fazer uma nota mental para voltar a fazer a pergunta, se não, depois já sei que vão dizer que não a fiz e devia ter feito e lá vêm reclamar que não receberam a refeição tal como a haviam solicitado. ´

Depois de tudo decidido - nesta odisseia demorada e tão pormenorizada - depois de tudo feito e quando finalmente chega a altura de fazer o pagamento - é quando repito o pedido para ter mais uma vez a certeza que tudo está como o cliente pretende. E é aqui que decidem mudar as coisas novamente. 

-"Neste prato quero os ovos bem feitos. De um lado e no outro. E quero o bacon muito seco". E depois a outra decide que também quer o seu ovo frito de um lado e do outro e o bacon muito seco. E lá vou eu ter de escrever tudo isto no pedido. Quando não esperam pelo final para o especificar e fazem-no antes, não é por isso mais rápido o atendimento. Isto porque é também comum «metralharem» essa informação sem pausa para respirar, esquecendo que a pessoa que os está a ouvir precisa de clareza e uns instantes para anotar.

Quem trabalha nisto acaba por desenvolver uma memória de registo rápido mas, ainda assim, é digno de estudo cultural, estas formas tão específicas de se comunicar nesta particular circunstância. Dá para entender a cultura, o social, a forma como se pensa e se comporta em sítios onde nunca fomos. 

Cada povo tem um comportamento distinto. Os orientais, por exemplo, tendem a ser poupados, mas a forma como colocam o pedido é educada, quase tímida, sorridente, mesmo quando surge alguma indecisão, esta não demora o que demora a indecisão de uma pessoa originária e educada no continente africano. E quase sempre, sempre, pedem água quente como bebida. 

Olhem, isto dava um scketch e tanto!
E pronto. Por ter percebido isto e falar nisto, «sou racista».



características do cliente africano:

* apressam-se a chegar ao bar só para serem os primeiros a ser atendidos
* não sabem o que querem  
* queixam-se sempre dos preços
* estão sempre com pressa
* perdem a pressa quando começam a pedir
* procuram sempre os preços mais baixos
* demoram a decidir
* gostam de mudar o menu e pedir itens separadamente para ver se comem por menos
* assim que decidem ainda podem mudar de ideias 
* Quando nas mesas ainda podem voltar a pedir mais alguma coisa
* Se sentirem que as suas vontades foram devidamente atendidas, ficam felizes e mostram simpatia
* Se sentirem que algo não foi adequado demonstram uma espécie de frieza
* Geralmente são boa gente - apenas exasperadamente indecisos


características do cliente asiático:
* aguardam pacientemente pela sua vez de ser atendidos, colocando-se em fila indiana
* têm uma abordagem quase tímida 
* Podem ter dúvidas sobre o que querem mas os próprios apressam-se a decidir 
* quase nunca bebem bebidas alcoólicas 
* procuram geralmente os preços mais baixos
* quase sempre pedem água quente
* quase sempre ficam-se por uma refeição apenas - sem bebida ou qualquer outro elemento
* são sorridentes 
* demoram uma eternidade a consumir uma refeição - alguns quase uma hora
* podem dar prioridade aos gadjets como o telemóvel e deixar a comida esfriar na mesa, não demonstram sinais de pressa no seu consumo


características do cliente indiano:

* preferem as comidas com muitas especiarias (dah!)
* costumam pedir em quantidade
* gostam de espalhar os pratos pela mesa, numa de partilhar por todos os presentes
* não gostam que os pratos sejam removidos depois de pararem de comer
* quase nunca bebem bebidas alcóolicas 
* deixam sempre restos de comida em cada prato, nunca finalizam nenhum


característica do cliente italiano:
* espera que quem o atenda fale italiano
* procuram o preço mais baixo
* pode ser o cliente mais rude de todos
* mas também os há muito simpáticos
* claramente existem duas itálias - uma de pessoas simpáticas que resultam em clientes simpáticos, outra de pessoas execráveis, que criam clientes mal educados e de imediato implicantes (deve depender das zonas)
* a maioria paga com cartão - menos as pessoas execráveis


característica do cliente francês:
* não sabe falar inglês e sente-se constragido com o fato
* é simpático e parece contente e aliviado quando termina o pedido 
* a maioria paga com cartão 

terça-feira, 11 de julho de 2017

Nem mesmo os mais idolatrados se safam de um tiro

E vou voltar a ele - a este assunto do Salvador Sobral e a sua forma de interpretar a música que levou ao festival, acabando por trazer a vitória para Portugal.



Já havia usado este exemplo antes, e vou dá-lo novamente. Este é um vídeo de uma atuação televisiva de Elvis Presley, no Edd Sullivan's Show, 1957. Nesta atuação Elvis surge muito «preso» nos movimentos que lhe eram naturais ao cantar, devido ao enquadramento fechado da câmera de TV que só o podia enquadrar em plano de peito. Nota-se que Elvis quer «expandir-se» mas tem de conter-se. 

Isso são aquelas «tecnicidades» do meio sobre as quais sempre inclino um olhinho... Adiante: a pesar disso, que lhe corta quase totalmente o estilo, Elvis aparece a cantar vários excertos de suas músicas, e pode-se observar plenamente que ele também tem tiques. Também abre a boca e estende a sílaba para lá do natural (vejam a parte em que canta Love me Tender), também vira o pescoço para o lado num gesto estranho... 


O que quero voltar a sublinhar é que TODO O ARTISTA interpreta e Elvis está, à semelhança de Salvador, a interpretar. E sendo música o que eles interpretam, não é inesperado ver o corpo a balançar de acordo com os acordes, com o tempo... Acho que é natural. E aprecio quando é natural. Porque quando se sente que um artista se move em palco e tenta fabricar tiques que não lhe são naturais, a atuação é pobre. Se apetecesse ao Salvador Sobral fazer o pino e cantar de cabeça para baixo, eu ia gostar de ver. Porque seria natural para ele. 



Só deixa de ser natural quando passa a ser o foco e remete a musica para segundo plano. Como tanta vez acontece principalmente quando surgiu a moda das boys-band (iniciada pelos Beetles). Quanto a Elvis... que pena sinto dele. Era um artista tão bom, mas tão bom, podia ter sido muito mais. Ficou com o rótulo de "Rei do Rock" mas... coitado. Vida miserável. Tornou-se numa pessoa que cedeu às suas inseguranças e alimentou o seu lado megalomano. Ainda assim, admirável pelo talento que tinha. Neste vídeo acima sinto pena dele pelo simples facto de quase nem conseguir cantar de tanta histeria à sua volta. Nem cantar, nem dançar ou movimentar-se como gosta, ao ritmo da música. Porque bastava-lhe abanar uns segundos as ancas e pronto: o mulherio aumentava o volume do histerismo. 


E Salvador Sobral incomoda-se quando lhe batem palmas... Ó Salvadori, filho, por acaso recebeste dos fãs 282 ursinhos de peluche como o Elvis recebeu pelo Natal de 56? Kkkk


Como já disse antes: entendo perfeitamente esta aversão. Mas o que é sempre foi e será. Há que saber gerir bem estas coisas, para não se virar um Elvis ou mesmo um John Lennon


O que têm de errado estes dois artistas?
Eram ambos cantores mas pessoas bem diferentes. Atingiram no mesmo período de tempo um nível de estrelato elevado e são ícones da música até hoje. John Lennon demonstrou algum incómodo com toda a veneração que lhe era dirigida (assim como Salvador) e também era dado a controvérsias, tendo comportamentos e fazendo declarações polémicas. Era comum Lennon fazer graçolas durante os concertos a solo, onde muitas vezes tocava ao piano. Uma vez ele cantou "Imagine" mas antes deu uma graçola de «mau gosto». Faz lembrar alguém??


Porém, de certo modo, tanto Lennon quando Elvis sairam derrotados, principalmente Lennon que lutava contra o sistema que recriminava. Uma mensagem que gostava de passar ao Salvador Sobral é esta: John Lennon também foi idolatrado e venerado por centenas de fãs mas isso não o impediu de ser morto à bala. Há sempre um que discorda... Pensa nesse quando o histerismo parecer querer engolir-te.

Elvis provavelmente só não teve o mesmo destino porque nessas duas vertentes opostas, o maluco era ele. Elvis andava armado e tinha um grupo de guarda-costas apelidado da Máfia de Menphis. Elvis adorava armas de fogo, tinha resmas delas e costumava andar aos tiros dentro de casa, aleatoriamente. Se não gostava de alguém na TV, dava um tiro no televisor! Costumava convidar algumas pessoas e logo mostrar-lhes um revólver. Todos os que entravam em sua casa eram revistados porém viam armas por todo o lado, transportadas à vista pelos seus seguranças e «entourage». Uma descrição de um «lar» que mais se assemelha às acomodações de um quartel de droga.

O que não deixa de ser uma comparação adequada, quando se sabe que Elvis drogava-se regularmente e «vivia» para a próxima dose. 

Portanto, isto de ser artista tem muito para dar errado. Tem tudo para dar certo quando se é talentoso e esse talento ascende o mediano.  Mas por isso mesmo tem uma igual ou maior proporção para dar muito errado.  

E pode-se ir de bestial a besta numa fracção de segundo.

Pf. continuem a deixar a vossa mijadela, obrigado.

sábado, 8 de julho de 2017

Deixe aqui a sua mijinha



Este poste é só para você, leitor, marcar território.
Por isso peço a quem visita, para mijar aqui neste post...



Desde que o blogger apagou a lista de blogues a seguir que recorro aos comentários aqui deixados par ir lendo outros blogues. Então pensei em fazer um post só para reunir todos os que visito ou que me visitam. Por isso estão convidados: Entrem em minha casa e deixei uma mijadela! 

Uma qualquer gotinha conta.

Aliviem-se!


E já agora, façam scroll down (andem para baixo) e descubram outros posts onde também podem mijar :)))

Boas mijadelas!

sexta-feira, 7 de julho de 2017

A Natureza da mulher, a sua resiliência e a misoginia


Sou da opinião  que as ideias de misoginia têm vindo a aumentar. Nesta sociedade cada vez mais evolutiva e permissiva, pode-se ir de biquini ou mesmo nua para a praia, contudo, ainda é muito visível o quanto alguns sentem ódio e mais ainda MEDO de mulheres, ao ponto de tudo fazerem para lhes reduzir a importância, a capacidade, o valor, a sua existência, as suas ideias, etc e tal.

Parte de um motivo que identifico como a causa para este fenómeno (que nunca vai ter fim, acho que a natureza de uns não o permite) surge com esta própria evolução. O facto da mulher trabalhar fora de casa, dentro de casa e ir para um hospital dar à luz  - é tudo considerado banal.

Essa banalidade torna CEGOS muitos que têm dificuldade em ver. Os que não conseguem, até hoje, obter das mulheres o que imaginam que elas devem dar, os que só pensam com um neurónio e só olham para o próprio umbigo, os que têm uma visão do mundo tão limitada que nem um grão de poeira se lhe compara...


Se as facilidades tecnológicas vieram a facilitar a vida, de homens e mulheres, por vezes também dessensibiliza. 

E é por isto que deixo aqui dois excertos de assentos de Baptismo
Leiam. Assimilem.

Se já se perguntaram de onde a criatura feminina, mulher, mãe, vai buscar a sua capacidade de resiliência, acho que aqui encontram uma resposta...




Está no seu ADN. É a sua natureza.

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Deixem-me cá desabafar um 'cadinho... (Limpezas e Hitler)

Sobre a Casa:
A minha semana de limpezas já passou e sim, aquela mancha acastanhada no assento do WC era «sujidade». 

Isto significa que, das três pessoas encarregues de limpar a casa depois da minha vez, nenhuma esfregou o assento. Demorei 3h nas limpezas. As dúvidas sobre a minha lentidão e a relação entre a rapidez e eficiência dissiparam-se. 

Continuo a achar que não sou boa em limpezas. Sou esforçada mas, pelos resultados, acho-me ruim. Só que, entre mim e os restantes, sou um Deus, Ahahah! 

Lavei o cesto do lixo pela segunda vez, tirei o pó grosso do televisor que nunca ligo, numa sala onde nunca entro, aspirei a casa e usei detergente para a carpete, esfreguei a retrete por dentro e por fora (não esquecendo o assento), lavei os tapetes dos WCs, esfreguei até sair toda aquela substância cor-de-rosa que alguém deixa no cromado da banheira, limpei as manchas do frigorífico. Posso ter demorado 3h e não ser lá grande coisa a limpar e desinfectar. Mas se as três pessoas que me procederam não deram pela presença de uma mancha castanha no tampo da sanita um dia depois de a ter limpo um mês antes, decerto que não sou a pior.



Sobre o Emprego:
Insignificâncias. Resumo o dia de ontem e os dissabores nele criados com esta palavra.

Ontem ainda nem tinha aquecido na minha tarefa, já estavam a dissipar-me o sorriso da cara e a atacar a minha boa disposição. E tudo por insignificâncias. (Ou implicâncias, melhor dizendo). 

Atendi um cliente com uma condição alimentar especial e, como não estávamos atarefados e o cliente era «especial», ofereci-me para levar a bebida (um chá) até à mesa deste. O cliente queria o chá simples, sem adição de leite ou açúcar (e todos metem mais leite do que água no chá, vai-se lá entender...).

Dos três colegas que estavam comigo a trabalhar no bar (quatro no total, para quase zero clientes), só uma estava por perto para me ouvir. E só ela, a C. tem a personalidade para querer fazer disso um «caso».

Preparei o chá - água quente e saco para dentro de uma caneca e levei à mesa. Tudo isto levou uns 20 segundos. Na volta a «chefe» vem ter comigo e diz-me:

-"Tens de mandar os clientes vir até ao bar fazer o seu chá. Não é suposto levares o chá à mesa, porque outros têm de atender os clientes e a C. teve de parar o serviço que estava a fazer para os atender.".


Olho para o bar e vejo uma pessoa... que tinha acabado de aparecer. Não eram os 20 segundos de ausência que iam fazer o cliente desesperar por atendimento. E não é como se tivesse saído do meu posto deixando o bar vazio. Estavam lá outros três a desempenhar a mesma função que eu. Só que no momento estavam ocupados com a simples tarefa de posicionar stock nas prateleiras. Ora, isso nunca foi prioritário sobre o atendimento aos clientes. Se ao menos fossem muitos, mas não, apareceu só um que a outra, oportunamente, tratou de usar como pretexto para me apontar um dedo acusativo.

Fui ensinada que se largam essas tarefas menores para dar prioridade a clientes. E fui tratada e destratada para assim o fazer. Esperava que outros mostrassem a mesma prioridade, principalmente numa manhã quase sem clientela. Existiram ocasiões diversas em que vi clientes à espera por mais de 5 minutos, e isso fez-me muita impressão. Porque percebia que as pessoas a trabalhar no bar não estavam tão atarefadas assim nem eram em tão pouco número para levarem tanto tempo a ir para outro cliente. Nessas vezes pergunto-me onde estão as pessoas que supostamente deviam «ver» estes assuntos.  

São estas pequenas coisas mesquinhas que me sugam o prazer no trabalho. 
As mesquinhices, as implicâncias, o se «enturmarem» para destruir um colega em particular...


Outra coisa que me deixa com os nervos à flor-da-pele é estarem todos à entrada do bar na conversa ou a fazer alguma coisa que escusavam de estar a fazer ali, quando eu preciso estar sempre a entrar e a sair por aquela estreita passagem. É o meu trabalho -quando não estou no bar, estou nas mesas, e isso implica ir e voltar constantemente. E ter ali naquele pequeno espaço três cus a barrar-me a passagem, cus que não se mexem nem se desviam, é desesperante. Até ultrajante, porque é falta de boa educação estar no meio do caminho e não ter a cortesia de se desviar. 

Sabem o que me disse uma portuguesa uma vez? Que eu devia pedir licença
Pedir licença para passar... numa passagem. Ora, se fosse a fazer isso sempre que preciso passar para ter acesso onde preciso de ir por ser essa a minha função (a delas é estar atrás do bar não estar paradas a bloquear uma passagem) precisava de andar sempre com uma garrafa de água conectada à minha boca, porque a garganta ia ficar seca e ressequida de tanto constatar o obvio. 

Noutro dia estava eu a trabalhar às mesas, fazendo um trabalho espetacular, sozinha, e estão três paradas naquela passagem, a tirar embalagens de maionese dentro de caixas. Juro que para tirar 6 embalagens dentro de duas de cartão, elas estavam a demorar uma ETERNIDADE. Era mais conversa que trabalho. As embalagens eram só um pretexto para a cavaqueira e nem eram precisas três pessoas para lidar com uma dúzia de frascos com maionese... Já uma assistência às mesas seria bem mais preciosa. Mas isso é trabalho duro, suja as mãos... vão todas a correr para as embalagens.

Nisto aparece a chefe daquilo tudo. Que ali precisa de entrar, tendo de passar pela mesma passagem estreita. E ela diz: "Pessoal, não estejam todos aqui concentrados. Fica mal, não é preciso tanta gente para arrumar isso". E como é a chefe, eles dissiparam...

Eu balbuciei: "Obrigado!".


Outra coisa que me vinha a aborrecer no emprego é a atitude de uma colega muito conversadora, que tem sempre histórias para contar e que vinha ter comigo, empatando-me o serviço, para falar mal da C., dizendo-me que já estava pelos cabelos com ela, que lá por ser velha, não significa que tenha de aturar as suas coisas e que a C. queria fazer queixa dela. Passada uma hora, lá vinha ela novamente falar mal da C. aos meus ouvidos, chamando-a não pelo nome, mas pelo termo «aquela velha».

Num destes dias, a C. implicou comigo e eu fiquei aborrecida, fazendo um pequeno desabafo com a tal colega que fala muito. Entendi o seu desinteresse e o seu afastamento. Mas o que melhor percebi foi que, depois do meu desabafo, ela mudou de atitude com a C., tentando estabelecer conversas da treta e fazendo desabafos de forma simpática. 

No final do expediente, ela, a C. velha que tanto ódio lhe despertava nos últimos dias, mais uma sub-chefe, esperavam todas umas pelas outras para irem juntas apanhar o transporte, como se fossem todas mui amigas. 

Rapidamente entendi que ela é «dessas» que está de mal com alguém só à espera que apareça outra pessoa com uma questão idêntica, para subitamente dar uma volta de 180º e virar «amiguinha» da «inimiga». Uma espécie de gente muito perigosa - mais ainda quando no corpo de uma jovem de 18 anos com cara de anjo barroco. 


E ontem, pouco antes de terminar, a C. chamou-me à parte para me dar uma reprimenda. E no final disse-me que «consultou a chefe antes de ter ido falar comigo». O que pode não parecer, mas é grave. É um sinal de alerta vermelho. Quem precisa de sentir as «costas quentes» antes de aprontar não é boa coisa...

A minha sorte é que, ao fazê-lo, ela fez-o na presença de outras pessoas, julgando-se a salvo de repreensão por estar com a «razão», segundo lhe disse a sub-chefe. Uma dessas pessoas que assistiu à cena foi um chefe acima da sub-chefe (aquilo é só chefes) que está poucas vezes ali mas que me chamou à parte para procurar entender o que se tinha passado. Eu expliquei o pequeno erro que cometi, por desconhecer que se cobrava mais 20 centimos quando se despeja mais água num copo...  E foi esse chefe que se surpreendeu por a reprimenda exceder o motivo e me disse que os modos como ela me falou foram muito agressivos e que não havia motivos para tal. Afirmou que, ao invés de me explicar onde estava o erro, tratou-me com agressividade nazista - palavras dele. 

É pena que entre tantos, ele seja um líder, que explica e comunica e os outros mais tiranos que acusam e apontam dedos.

Bom, o meu mal é que eu tolero este tipo de tratamento. Já aqui o disse. Por isso é que os bullies têm terreno fértil comigo... Eu tolero, tolero, desculpo, desculpo... Mas não sou conivente. Não repito, não os imito. 

São estas mesquinhices que me dão vontade de procurar outra «turma». Não é o trabalho em si nem são os clientes - que continuo a dizer que são a melhor parte do todo. São os colegas. Os incompetentes, os mesquinhos, os implicantes, os que têm a mania, os agressivos, os mal educados, os «queixinhas», etc.

Depois há uns poucos que valem a pena - mas são cada vez menos.


 PS: como o texto deste post é longo decidi quebrar a monotonia com ilustrações de imagens bonitas :) 

sábado, 1 de julho de 2017

Sabem o que é hummus?


Foi na noite que Salvador Sobral ganhou o Eurofestival que trouxe do supermercado, a conselho de uma colega, um produto alimentar para barrar no pão de nome hummus


Conhecem ou sabem o que é hummus?


No meu tempo de escola, humus era o nome dado à matéria orgânica da primeira camada do solo: ou seja: todo o material decomposto da terra, os restos e fezes de insetos, animais, folhas. E recordei isso.


Mas o hummus que se come é feito com grão. Basicamente é grão cozido transformado em puré, no qual se juntam uma série de especiarias com um toque mais oriental (muito condimentado). 

Não fiquei fã.
Há primeira até se gosta, mas ao consumir mais vezes o sabor do grão é muito intenso e enjoativo. Viciante são os sabores extra para lá enfiados. Então é normal, mesmo não apreciando por aí além, uma pessoa comer uma embalagem de 100g de hummus de uma tirada só.


Agora meti na cabeça que o conceito de hummus pode ser melhorado. Quero retirar o grão da receita e incluir um substituto. Pensei em feijão-frade, só porque é um sabor que gosto mais. E dentro dos condimentos tradicionais (Paprika, comilho em pó, alho, sumo de limão, azeite e Tahini- uma pasta de sementes de sésamo), mudar também os ingredientes. Ir fazendo experiências até acertar com um sabor que me agrade.

Adoro o sabor de uma simples maionese com ou sem ovo, atum ou delícias-do-mar e pickles. É um sabor delicioso. O hummus é uma versão vegan a isso, com substâncias com nomes mais pomposos. 

Em inglaterra, a terra dos molhos e da comida processada, praticamente existe uma secção do supermercado exclusivamente dedicada a «dips» - molhos onde se pode espetar todo o tipo de alimento natural ou processado e usufruir do seu sabor mascarado por molhos de diferentes cores.


Curiosamente, no dia em que vos apresentei ao vloggers ingleses a viver em Portugal, visionei um vídeo deles em que se espantavam por não encontrarem hummus em nenhum lugar, nenhum supermercado, por mais que procurassem. E confesso que eu nunca reparei, nunca vi e desconheço se em Portugal o hummus é comercializado.

(Deve ser.. porque aqui encontro-o no Lidl).

Mesmo que seja, o fazer em casa e o comprar já feito deve fazer muita diferença.

Um dia vou procurar inventar o tal hummus, mas numa de criar algo tradicional, simples, algo que provavelmente os nossos antepassados faziam com os ingredientes que cá tinham sem precisarem de dar-lhe um nome pomposo, processar pasta das sementes de sesamo ou incluir na receita um ingrediente picante com nome esquisito.

Umas simples castanhas cozidas e transformadas em puré... Humm... delícia!

Mas na versão comercial dos dias de hoje, adicionando a febre vegan, o simples puré de castanha virava algo com um nome do género frufrutu e incluiriam nesse puré de castanha paprica, pimento, gerkin e... decerto entendem onde quero chegar  :)  :)